A ENDARTERECTOMIA CAROTÍDEA PODE SER INDICADA APENAS POR ULTRASSONOGRAFIA DOPPLER?

Autora-apresentadora: Fátima Mohamad El Hajj

Coautores: Anna Karina Paiva Sarpe; Diego Luiz Pontes Espindola; Renato Manzioni; Marcus Vinicius Martins Cury; Marcos Roberto Godoy; Marcelo Fernando Matielo; Francisco Cardoso Brochado Neto; Christiano Stchelkunoff Pecego; Roberto Sacilotto.

Introdução: A angiografia digital (Angio-digital) é o exame padrão-ouro para definição do grau de estenose carotídea. Por se tratar de um exame invasivo, o mesmo tem sido progressivamente substituído pelas angiografias por tomografia (Angio-TC) ou ressonância (Angio-RMN). Paralelamente, a ultrassonografia Doppler (DUS) é um método não invasivo, de baixo custo e consagrado na triagem de estenose carotídea. O objetivo deste estudo foi comparar os desfechos operatórios de pacientes submetidos a endarterectomia de carótida (ECA) orientada apenas por DUS ou combinada com outro exame de imagem contrastado (angio digital, TC ou RMN).

Método: De Outubro de 2000 a Maio de 2014 realizamos 340 ECA em 310 pacientes. Através da análise retrospectiva de registros médicos, dois grupos de estudo foram identificados: grupo DUS (n = 113) e grupo Angio (n = 227). Os principais desfechos pesquisados foram: ocorrência de eventos neurológicos no pós-operatório (AVC) e/ou óbito precoce. A análise estatística foi realizada pelo qui-quadrado/teste de Fisher e test T, admitindo-se significância para P ≤ 0.05.

Resultados: No grupo total houve predominância do sexo masculino (62.6 %), com média de idade de 69.6 ± 8.1 anos. A hipertensão arterial sistêmica foi a principal comorbidade (85.8 %) e os grupos foram comparáveis quanto às variáveis demográficas, bem como sintomatologia, predominando indivíduos assintomáticos (53.5 %). Na avaliação do grau de estenose, não houve diferença entre os grupos, com dominância de estenoses superiores a 70% (84.4 %). A média de clampeamento carotídeo foi de 40.6 ± 11.3 minutos, não ocorrendo diferença entre os grupos (DUS = 40.6 ± 9.1 vs. Angio = 40.5 ± 12.2; P = 0.94). Em relação à técnica operatória, a ECA convencional com uso de remendo foi a mais frequente em ambos os grupos (DUS = 70.8% vs. Angio = 68.3%; P = 0.70). A taxa global de AVC e mortalidade operatória foram de 5 % e 2.1%, respectivamente e os grupos foram semelhantes em relação a estes desfechos (AVC: DUS = 4.4% vs. Angio = 5.3%; P=0.47; óbito: DUS = 2.7% vs. Angio = 1.8%; P=0.69).

Conclusão: A DUS é um método seguro e eficaz na indicação da ECA, sem aumento das taxas de AVC e mortalidade operatória.
Palavras-chave: Ultrassonografia Doppler, angiografia digital, endarterectomia carotídea, acidente vascular cerebral.

Comentadora: Dra. Érica Nardino

Introdução: A angiografia digital (Angio-digital) é o exame padrão-ouro para definição do grau de estenose carotídea. Por se tratar de um exame invasivo, o mesmo tem sido progressivamente substituído pelas angiografias por tomografia (Angio-TC) ou ressonância (Angio-RMN). Paralelamente, a ultrassonografia Doppler (DUS) é um método não invasivo, de baixo custo e consagrado na triagem de estenose carotídea. O objetivo deste estudo foi comparar os desfechos operatórios de pacientes submetidos a endarterectomia de carótida (ECA) orientada apenas por DUS ou combinada com outro exame de imagem contrastado (angio digital, TC ou RMN).

Método: De Outubro de 2000 a Maio de 2014 realizamos 340 ECA em 310 pacientes. Através da análise retrospectiva de registros médicos, dois grupos de estudo foram identificados: grupo DUS (n = 113) e grupo Angio (n = 227). Os principais desfechos pesquisados foram: ocorrência de eventos neurológicos no pós-operatório (AVC) e/ou óbito precoce. A análise estatística foi realizada pelo qui-quadrado/teste de Fisher e test T, admitindo-se significância para P ≤ 0.05.

Resultados: No grupo total houve predominância do sexo masculino (62.6 %), com média de idade de 69.6 ± 8.1 anos. A hipertensão arterial sistêmica foi a principal comorbidade (85.8 %) e os grupos foram comparáveis quanto às variáveis demográficas, bem como sintomatologia, predominando indivíduos assintomáticos (53.5 %). Na avaliação do grau de estenose, não houve diferença entre os grupos, com dominância de estenoses superiores a 70% (84.4 %). A média de clampeamento carotídeo foi de 40.6 ± 11.3 minutos, não ocorrendo diferença entre os grupos (DUS = 40.6 ± 9.1 vs. Angio = 40.5 ± 12.2; P = 0.94). Em relação à técnica operatória, a ECA convencional com uso de remendo foi a mais frequente em ambos os grupos (DUS = 70.8% vs. Angio = 68.3%; P = 0.70). A taxa global de AVC e mortalidade operatória foram de 5 % e 2.1%, respectivamente e os grupos foram semelhantes em relação a estes desfechos (AVC: DUS = 4.4% vs. Angio = 5.3%; P=0.47; óbito: DUS = 2.7% vs. Angio = 1.8%; P=0.69).

Conclusão: A DUS é um método seguro e eficaz na indicação da ECA, sem aumento das taxas de AVC e mortalidade operatória.

Palavras-chave: Ultrassonografia Doppler, angiografia digital, endarterectomia carotídea, acidente vascular cerebral.