ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES PORTADORES DE FILTRO DE VEIA CAVA INFERIOR COMO PROFILAXIA DO TROMBOEMBOLISMO PULMONAR

ACOMPANHAMENTO DE PACIENTES PORTADORES DE FILTRO DE VEIA CAVA INFERIOR COMO PROFILAXIA DO TROMBOEMBOLISMO PULMONAR

Autores: Cecília M. C. Pedro, Marcelo C. Burihan, Felipe Nasser, Orlando C. Barros, Tamiris A. M. Ingrund, Gustavo C. Miranda, Marlon A. Olivetti, George D. Brandão, José C. Ingrund

Instituição: Faculdade Santa Marcelina / Hospital Santa Marcelina

Resumo: A trombose venosa profunda (TVP) é a formação de trombos no interior das veias profundas, e uma de suas principais complicações é o tromboembolismo pulmonar (TEP). O TEP consiste na deposição de trombos dentro dos vasos pulmonares, sendo a principal causa de morte hospitalar evitável. Os anticoagulantes são utilizados no tratamento do TEP, porém existem casos onde há contraindicação para seu uso. Desta forma, os filtros de veia cava (FVC) podem ser indicados, com o propósito de prevenir o desenvolvimento de eventos embólicos e suas complicações.
O estudo teve o objetivo de avaliar a efetividade do FVC na profilaxia do TEP e demonstrar suas complicações. Indicar o perfil epidemiológico dos pacientes que receberam o FVC, demonstrar as doenças mais prevalentes e as principais indicações para utilização do FVC nos pacientes com TVP e TEP.
Foi um estudo observacional de coorte retrospectivo de 101 pacientes que receberam o FVC, de setembro de 2008 até dezembro de 2016, no Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital Santa Marcelina. Os dados foram obtidos através da verificação sistemática dos prontuários eletrônicos.
No total de 101 pacientes, que foram submetidos ao procedimento, foi observado maior prevalência no sexo feminino (69,3%). A faixa etária mais prevalente nas mulheres foi entre 51 a 70 anos (37,6%), e nos homens foi entre 51 a 70 anos (14,8%). Após a verificação de prontuários, notou-se que 25 pacientes não receberam o tratamento completo no serviço, resultando na perda de seguimento clínico por impossibilidade de acessar o prontuário alterando a quantidade da amostra para 76 pacientes. A principal comorbidade foi a HAS. Constatou-se que 59% dos pacientes apresentavam doenças malignas, sendo o carcinoma de colo uterino a mais comum. A indicação mais prevalente para o uso do FVC foi a presença de TVP associada a indicação cirúrgica. Antes do FVC, a incidência de TEP era de 14,4%, após o implante foi de 2,6%. O estudo indicou que 73 pacientes evoluíram com TVP primária, 3,9% deles recorreram com TVP após o implante. Três indicações do FVC não envolveram a presença de TVP primária, sendo elas: TEP apesar de anticoagulação plena, TEP recorrente e indicação cirúrgica associada ao risco elevado de desenvolver TEP, após o implante os pacientes não desenvolveram trombose. Dos 76 pacientes, 41 deles vieram a óbito durante a pesquisa. No decorrer do estudo, um paciente evoluiu com deslocamento do implante, os demais não apresentaram complicações documentadas.
Com isso, o estudo mostrou o vínculo entre TVP e o sexo feminino. Permitiu concluir que os FVC podem ser utilizados para a prevenção do TEP, não devendo ser utilizado como conduta imediata, apenas quando há forte evidência para o uso. Confirmou o alto índice de doenças malignas associadas a eventos trombóticos. Em relação às complicações do FVC, dos 10 pacientes que retornaram ao serviço, apenas um evolui com deslocamento do implante. Inferindo maior confiança ao uso do FVC quando este
for necessário.

Comentador: Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves

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