Autores: Dafne Braga Diamante Leiderman (apresentadora), Antonio Eduardo Zerati, Maria Paula Vieira Mariz, Nelson Wolosker, Pedro Puech-Leão e Nelson De Luccia

Instituição: Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP HCFMUSP

Introdução: Um a cada cinco pacientes com câncer ativo e TEV apresenta contraindicação a anticoagulação ou recorrência do TEV em vigência de anticoagulação adequada, gerando a necessidade de implante de filtro de veia cava inferior (FVCI). Estudos mostram que grande parte desses pacientes têm sobrevida muito pequena após o implante do FVCI, porém, não se aprofundam na análise de possíveis fatores prognósticos que poderiam identificar pacientes que teriam maior sobrevida com o procedimento. Este é o primeiro estudo tipo caso-controle com um grande número de casos consecutivos (247) de trombose venosa profunda (TVP) proximal em pacientes oncológicos em que se comparou a sobrevida de dois grupos de pacientes: FILTRO versus ANTICOAGULAÇÃO.

Objetivo: Verificar em uma grande casuística se a necessidade de implante de FVCI representa um indicador independente de gravidade em pacientes com câncer e identificar um possível subgrupo em que há maior benefício em sobrevida após o implante do FVCI.

Métodos: Foram estudados, retrospectivamente, 247 pacientes oncológicos consecutivos com TVP proximal de um único serviço oncológico, divididos em dois grupos: grupo FILTRO com 100 pacientes que tinham contraindicação a anticoagulação ou recorrência de TEV em vigência de anticoagulação adequada que foram submetidos ao implante de FVCI; o grupo ANTICOAGULAÇÃO com 147 pacientes em que a anticoagulação foi possível (grupo controle). Analisados dados demográficos, tipo de câncer, presença de TEP, presença de metástase, mortalidade <30 dias e >1ano e as causas de óbito. No grupo FILTRO analisamos a sobrevida dos pacientes de acordo com as indicações do procedimento.
Foi utilizada análise multivariada para verificar a relação dos fatores de risco com sobrevida dos pacientes.

Resultados: A mortalidade geral no grupo FILTRO (88%) foi significativamente maior do que a mortalidade no grupo ANTICOAGULAÇÃO (24,5%), sendo que somente o grupo FILTRO apresentou mortalidade <30 dias (25% dos pacientes). Análise multivariada mostrou que a necessidade do implante de FVCI apresentou isoladamente um risco de óbito 8,83 vezes maior do que o risco de óbito daqueles em que a anticoagulação foi possível. Já a presença de metástase representou, nessa casuística, um risco de óbito 2,47 vezes o risco de óbito dos pacientes com doença localizada. Demonstrou que a probabilidade de sobrevida dos pacientes com doença metastática com TVP proximal submetidos à anticoagulação (grupo ANTIACOAGULAÇÃO com metástase) é maior que a probabilidade de sobrevida dos pacientes com doença localizada que necessitam de implante de FVCI (grupo FILTRO sem metástase). Pacientes que necessitaram de implante de FVCI por outras indicações tiveram risco de óbito 2,24 vezes maior do que o risco de óbito dos pacientes que necessitaram do implante para serem submetidos a procedimentos cirúrgicos de grande porte.

Conclusão: A necessidade de implante de FVCI em pacientes oncológicos é um marcador isolado de gravidade, com risco de óbito 8,83 vezes o risco de óbito dos pacientes oncológicos com TVP em que o tratamento com anticoagulação é possível, sendo definido nesta casuística como fator prognóstico de pior risco do que a presença de metástase. O subgrupo de pacientes, cujo implante do FVCI foi para a realização de procedimento cirúrgico de grande porte, apresenta maior benefício em sobrevida.

Moderador: Dr. Adilson Ferraz Paschôa