Autores: Raul Daolio (apresentador, aluno de medicina), Nicolle Cassola, Carolina Flumignan, Giulliana Marcondes, Luiz Gustavo Schaefer
Guedes, Osias Prestes, Luis Nakano, Henrique Guedes, Jorge Amorim, José Carlos Baptista-Silva e Ronald Flumignan

Instituição: Disciplina de Cirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo

Introdução: Ultrassom vascular (UV) é um teste mais barato e menos invasivo quando comparado à angioressonância magnética (ARM), angiotomografia computadorizada (ATC) e angiografi a de subtração digital (ASD) para o diagnóstico de estenose de carótida extracraniana, mas a acurácia do UV ainda não está bem estabelecida. O UV tem limitações técnicas conhecidas para dar informações relevantes sobre a origem dos tronco supra-aórticos e do próprio arco aórtico, por isso não poderia ser usado como único método em programação de stenting carotídeo.
Entretanto, ao estabelecer com segurança o grau de estenose carotídea, apenas com UV em paciente com indicação de endarterectomia, poder-se-ia programar essa terapêutica sem a necessidade de exposição do paciente a radiação ionizante (ATC e ASD) e a contraste nefrotóxico (ATC, ARM e ASD). Além de economizar recursos, isto contribuiria para melhor tomada de decisão quando os médicos se veem frente a pacientes que não poderiam ser submetidos à ATC, ARM ou ASD mas que seriam benefi ciados pela revascularização de carótida. O objetivo foi estabelecer a acurácia do UV para o diagnóstico de estenose de carótida, comparado a ATC como teste de referência em pacientes com possível indicação de endarterectomia carotídea.

Métodos: Trata-se de coorte retrospectiva comparando UV e ATC realizados em serviço universitário em 2016. Foram incluídos pacientes que realizaram os dois exames com intervalo de tempo de no máximo seis meses. Dois médicos especialistas avaliaram os UV e outros dois as ATC do mesmo paciente. Eles não tiveram acesso ao relatório original dos exames, aos laudos dos outros examinadores e aos resultados do outro método. Todos os examinadores utilizaram o software RadiAnttm (https://www.radiantviewer.com/pt-br/) e imagens de aquisição originais em formato DICOM (Digital Imaging and Communications in Medicine), em sistema operacional Windowstm para suas análises.
Utilizaram-se os critérios NASCET para as aferições em ATC, os critérios do Consenso Americano de Radiologia 2003 para as aferições em UV e essas últimas faixas de estenoses para comparar os resultados. O limite considerado para sensibilidade e especifi cidade foi uma estenose de 50% ou mais. A unidade de análise foi o paciente, considerando separadamente os dados das artérias (direita e esquerda), quando possível.

Resultados: Dos 645 UV realizados em 561 pacientes, 52 (9,3%) realizaram ATC como investigação adicional. Dos primeiros 27 pacientes analisados, um foi excluído por apresentar dissecção de carótida e outros dois por terem sido submetidos à stenting de carótida. Apresentamos, então, a avaliação inicial dos primeiros 24 pacientes incluídos.
O intervalo médio entre o UV e ATC foi de quatro meses e o intervalo de toda a amostra variou de zero a seis meses. A idade média foi 64 anos, 74% eram homens, 74% eram hipertensos, 81% dislipidêmicos, 40% diabéticos e 55% fumantes. A sensibilidade do UV foi de 90% ou mais e especifi cidade 82%. O valor preditivo positivo foi de 66% e valor preditivo negativo foi de 95%. A acurácia geral foi 84%.
Houve 2% de discordância entre avaliadores de UV e 25% entre avaliadores de ATC. UV e ATC tiveram 12% de discordância entre métodos.

Discussão: Quando se trata de UV, a dependência do examinador já é bem conhecida, mas nesse estudo a ATC se mostrou um método
diagnóstico com a mesma ou até maior infl uência, uma vez que a discordância entre seus avaliadores (25%) foi maior que a encontrada entre os de UV (2%). O UV apresentou acurácia aceitável (84%) e semelhante à encontrada em estudos internacionais (80- 90%) e por isso segue como o teste de primeira escolha para diagnóstico de estenose carotídea em pacientes com provável indicação de endarterectomia.
Adicionalmente, pelo fato dos dados terem sido avaliados de maneira mascarada (entre avaliadores e entre testes), poderão contribuir para uma futura metanálise (evidência de alta qualidade) sobre a real acurácia
do UV.

Conclusão: A acurácia do UV realizado em serviço universitário, quando comparado à ATC, foi de 84%, para pacientes com possível indicação à endarterectomia.

Comentador: Dr. Marcos Roberto Godoy