Autora principal: Isabela Rodrigues Tavares – Residente Endovascular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

Co-autores: Fábio Henrique Rossi, Nilo Mitsuru Izukawa, Antonio Massamitsu Kambara, Thiago Osawa Rodrigues, Victor Andrade Nunes, Vinicius Diniz – Membros da Cirurgia Vascular e Endovascular do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

Instituição: Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia

Introdução: A obstrução venosa central (OVC) é uma complicação comum do acesso à hemodiálise, sendo sua principal causa de disfunção e falência. O reconhecimento precoce permite a correção endovascular para manutenção da perviedade do acesso. Na literatura, ainda existe pouca evidência dos resultados do tratamento da OVC nesse grupo de pacientes.

Objetivo: Verificar os resultados do tratamento endovascular de obstruções do sistema venoso central em pacientes portadores de via de acesso para hemodiálise.

Metodologia: Estudo retrospectivo de pacientes submetidos a tratamento endovascular de OVC. Os principais dados avaliados foram: fatores de risco, sintomas, segmento venoso tratado, técnica (balão isolado ou stent), sucesso técnico, complicações, sobrevida e perviedade.

Resultados: Foram tratados 205 pacientes, realizados 277 procedimentos, no período de 2010 a 2018, 175 (63,4%) do gênero masculino e idade média de 55 anos. Os principais sintomas para indicação do procedimento foram: edema em membro superior (80,1%), edema cervical (19,9%), baixo fl uxo durante a diálise (18,4%) e falha no funcionamento do acesso (6,5%). A obstrução predominante foi no tronco braquiocefálico (72,7%). Em 77,8% dos casos foi necessário o implante de stent. Houve sucesso terapêutico imediato em 89,1% dos casos, sendo a principal causa de insucesso a dificuldade de transposição da obstrução. O tempo médio que os pacientes permaneceram assintomáticos após a angioplastia foi de 1,3 anos (15 meses). O seguimento ambulatorial foi considerado adequado em apenas 38,6% dos pacientes. Como complicações maiores (5,4%), ocorreu um caso de derrame pleural e um caso de derrame pericárdico. As curvas de perviedade, após um período médio de acompanhamento de 36 meses, estão ilustradas no Gráfico 1. Podemos verificar que muitos desses pacientes evoluíram para óbito durante o acompanhamento clínico (Gráfico 2).

Conclusão: A angioplastia transluminal percutânea pode ser considerado o tratamento preferencial para as obstruções venosas centrais. A terapêutica endovascular é capaz de melhorar o fl uxo dos acessos, aliviar as queixas e reduzir o risco de trombose. O recolhimento elástico é frequente após a angioplastia isolada, havendo frequentemente a necessidade de múltiplas intervenções e colocação de stent na tentativa de manter a perviedade à longo prazo. A maioria dos pacientes são encaminhados já em fases tardias da obstrução da via de acesso e o índice de mortalidade é alto nesse grupo de pacientes.