AVALIAÇÃO DO IMPLANTE DE CATETERES VENOSOS CENTRAIS DE INSERÇÃO PERIFÉRICA ECOGUIADOS EM PACIENTES COM INDICAÇÃO DE ACESSO VASCULAR

Autores: Marcelo Kalil Di Santo, Robert Guimarães Nascimento, Ariele Milano Nascimento, Marco Antônio Caldas Jovino e Jorge Kalil

Instituição: Hospital e Maternidade São Luiz Itaim – Rede D’or

Introdução: O cateter venoso central de inserção periférica (PICC) é um dispositivo intravenoso inserido através de uma veia superficial ou profunda da extremidade e que progride até o terço distal da veia cava superior ou proximal da veia cava inferior. O PICC foi descrito na literatura pela primeira vez em 1929, como alternativa de acesso venoso central por via periférica.  No Brasil, começou a ser utilizado na década de 1990. Indicado para terapêutica parenteral prolongada, a vantagem do uso é ser mais seguro para infusão de soluções vesicantes, causando menos estresse, desconforto e redução da frequência de exposição à punção venosa central, além de menor custo em relação ao cateter venoso central de inserção central (CVCIC). O CVCIC tunelizado ou cirurgicamente inserido é associado à maior taxa de infecção, quando comparado ao PICC.

Objetivo: Apresentar os resultados do grupo no implante de cateteres venosos centrais de inserção periférica (PICC) eco guiados, realizados no Hospital e Maternidade São Luiz Itaim.

Material e Métodos: Estudo prospectivo, realizado de fevereiro de 2015 a julho de 2016. Foi utilizado protocolo pré-estabelecido pela instituição quando havia solicitação e necessidade de um acesso vascular. Os critérios de inclusão foram pacientes internados em enfermaria ou UTI, com indicação de nutrição parenteral prolongada (NPT), quimioterapia, necessidade de infusões contínuas de drogas com propriedades vesicantes e/ou irritantes, antibiótico, terapia prolongada por período acima de quatro dias, acessos venosos difíceis com perda diária do acesso e pacientes em uso de heparina e/ou plaquetopênicos.

Foram excluídos do estudo: pacientes pediátricos, tromboflebite ou trombose venosa profunda no membro superior bilateral, veia cefálica como única opção de acesso bilateral, mulheres mastectomizadas, presença de fístulas arterio-venosas no membro a ser puncionado/cateterizado e situações de emergência.

Foram analisados sucesso técnico, tipo do cateter implantado, indicação, doenças prevalentes e complicações relacionadas ao cateter.

Resultados: Foram solicitadas 212 avaliações para acesso vascular, sendo implantados 192 PICC (90,5%) e 20 CVCIC (9,5%). Dos pacientes, 63,2% eram do sexo feminino, com idade média de 70,2 anos. 142 pacientes (66,9%) estavam na UTI e 70 (33,1%) estavam na enfermaria. A principal indicação para implante do cateter foi antibioticoterapia prolongada (52%) e a doença clínica mais prevalente foi a broncopneumonia (29%).

Foram utilizados cateteres valvulados de silicone (PICC GroshongBARD®), cateteres não valvulados de poliuretano (PowerPICC BARD®) e cateteres valvulados de carbotano (BiofloHemocath®) de 5 e 6 Fr.

Em relação ao PICC, houve sucesso técnico em 185 (96,3 %) cateteres implantados, e, em 144 pacientes (75%), a veia eleita para a inserção foi a veia basílica direita, seguida da veia braquial direita em 68 pacientes (25%).

As complicações observadas no período foram fraturas em dois (3,84%) cateteres de silicone valvulados, obstruções em sete (13,44%), sendo seis cateteres de poliuretano sem válvula e um cateter valvulado de carbotano, e infecções relacionadas ao cateter em cinco (9,6%) desses.

Conclusão: Os implantes dos cateteres venosos centrais de inserção periférica ecoguiados e posicionados por fluoroscopia apresentaram baixas incidências de complicações e reduzidos índices de infecção.

Foram seguros e eficazes, principalmente em casos de acessos vasculares complexos.

Foram considerados os dispositivos de escolha em acesso vascular central.

A manutenção necessitou treinamento rigoroso da equipe de enfermagem, com a finalidade de minimizar complicações pela manipulação inadequada do cateter.

Comentador: Dr. Christiano S. Pecego