Avaliação dos resultados de cateteres totalmente implantáveis em região cervical e braquial de pacientes em tratamento para quimioterapia

Autores: Marina Gonzalez de Toledo; Renato Manzioni; Sayonê Andrade de Moura; e Fabio B. Sotelo.

Instituição: Hospital Ipiranga

Introdução: Os dispositivos venosos totalmente implantáveis (DVTIs) ou ports são essenciais para pacientes com neoplasia maligna que necessitam de quimioterapia e outros tratamentos parenterais de longa duração. Por serem totalmente implantáveis possibilitaram melhor qualidade de vida, maior durabilidade, menor taxa de infecção e outras complicações quando comparados aos demais dispositivos. O implante através da veia jugular interna tem sido a via preferencial de inserção, entretanto vem sendo debatida nos últimos anos devido sua associação à complicações graves como pneumotórax, hemotórax, punção de artéria subclávia e artéria carótida. Uma alternativa para evitar essas complicações é a utilização de dispositivos venosos totalmente implantáveis de inserção periférica no braço.

Método: Estudo prospectivo no qual foram avaliados 16 pacientes com doença neoplásica oriundos do ambulatório de cirurgia vascular do Hospital Ipiranga – UGA II, submetidos ao implante de port através de acesso cervical ou braquial, de acordo com as indicações médicas e a preferência do paciente. Estes pacientes foram acompanhados pelo período de junho de 2018 a janeiro de 2019, e os desfechos primários avaliados foram: tempo dos procedimentos, complicações e desconforto do paciente no período intra-operatório e após 10 dias, um mês e seis meses do procedimento. A avaliação do grau de satisfação foi realizada ao término do estudo com base na aplicação de um questionário específico.

Resultados: Em todos os casos o procedimento foi concluído com sucesso e o funcionamento adequado dos cateteres foi confirmado. As complicações observadas nos pacientes com acesso braquial incluíram um caso de hematoma local, um caso de tromboflebite assintomática e um caso de infecção de loja subcutânea, todos tratados clinicamente sem necessidade de retirada do dispositivo.
Nos pacientes com acesso cervical foi observado um caso de cateter mal posicionado e dois casos de infecção de loja subcutânea, um deles com necessidade de retirada precoce do port. A maioria dos pacientes preferiu implantação do cateter no braço, porém obtivemos maior número de ports implantados por via cervical devido incompatibilidade das veias periféricas com o dispositivo disponível.
Dos 15 pacientes que mantiveram o port por seis meses e foram interrogados (nove pacientes com acesso cervical, seis pacientes com acesso braquial), 14 (93,3%) recomendariam o procedimento para outra pessoa.

Conclusão: A implantação do port através do acesso braquial e cervical não apresentou complicações graves, e os pacientes demonstraram elevada satisfação geral. A implantação por via periférica no braço é uma opção segura e pode ser utilizada como alternativa ou oferecida como primeira escolha, conforme indicações
médicas e a preferência do paciente.

Comentador: Dr. Guilherme Yazbek

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