Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem

Autor principal: Lucas Lembrança

Coautores: Adriano Tachibana; Emanuela Carolina Zippo Silva; Richard Wonuh Joo; Ricardo Sales dos Santos; Marcelo Passos Teivelis; e Nelson Wolosker

Instituição: Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução e Objetivo: Os Aneurismas de Aorta Torácica representam um terço das internações por doenças da aorta, podendo acometer todos os seus segmentos. Os principais fatores de risco para o seu desenvolvimento são idade, tabagismo e hipertensão arterial. Mesmo com o alto grau de letalidade, são frequentemente assintomáticos, o que dificulta o diagnóstico precoce. Na ausência de sintomas, o tratamento cirúrgico é recomendado em função do diâmetro máximo do vaso, levando em consideração as suas características anatômicas basais. Dessa forma, o objetivo deste estudo é avaliar as características anatômicas da aorta torácica de brasileiros.

Materiais e Método: Foram avaliados 711 pacientes submetidos retrospectivamente à Tomografia Computadorizada de Tórax, num protocolo de baixa dosagem para triagem de nódulos pulmonares. Foram analisados o diâmetro máximo e comprimento de todos os segmentos aórticos, as principais variações anatômicas e o tipo de arco aórtico. Assim, foram avaliadas as prevalências de aneurisma, bem como correlações com as características demográficas da população. As medidas foram feitas manualmente por software Horos, após a
reconstrução multiplano.

Resultados: Os pacientes apresentavam uma média de idade de 61 anos (dp: 4,7) com predomínio do sexo feminino (50,5%). Todos eles eram hipertensos e tabagistas. O diâmetro da aorta ascendente foi de 33,61 mm (dp: 3,88), do arco aórtico foi de 28,6mm (dp: 2,89) e o do segmento descendente da aorta foi de 28,4 mm (dp:3,09). Houve correlação positiva entre o valor do diâmetro, idade e superfície corporal.
A variação anatômica mais frequente foi a presença de tronco bovino em 57 (11%) pacientes, seguida por origem isolada da artéria vertebral esquerda em 13 casos (2,5%). O Arco do tipo 1 foi o mais frequente, estando presente em 303 (55%) pacientes.
A prevalência de aneurismas foi de 0,14%, quando é considerado valor anormal uma dilatação maior que 50% do valor normal do vaso. Contudo, se utilizarmos um limite superior de dois desvios-padrão, esse número aumenta para 7%.

Conclusão: A prevalência de aneurismas torácicos na população brasileira foi semelhante ao encontrado em outras séries, quando utilizamos critérios arbitrários para sua definição.

Comentador: Dr. Andre Echaime V. Estenssoro

Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem