Experiência com a implantação de protocolo para o tratamento endovascular do aneurisma roto de aorta

2018-10-29T16:38:47-03:00Reunião Científica - 27/09/2018, Vídeos, Vídeos 2018|

Autores: Guilherme Baumgardt Barbosa Lima (Apresentador), Grace Carvajal Mulatti, Marcos Vinicius Melo de Oliveira, Tatiane Carneiro Gratão, Pedro Puech-Leão, Nelson De Luccia.

Instituição: Disciplina de Cirurgia Vascular HCFMUSP.

Objetivos: Relatar a experiência de tratamento cirúrgico do aneurisma roto da Aorta abdominal infrarrenal, por via endovascular e via convencional após padronização do protocolo para tratamento. Avaliar comparativamente complicações pós-operatórias e óbito.

Pacientes e Métodos: De fevereiro de 2011 a julho de 2018 foram avaliados retrospectivamente todos os casos de aneurismas rotos da Aorta infrarrenal, tratados por via convencional ou endovascular, atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, pela equipe do Pronto-Socorro de Cirurgia Vascular. O principal critério de indicação entre o tratamento aberto ou endovascular foi anatômico. Os desfechos analisados foram complicações em 30 dias e óbito.

Resultados: Foram tratados consecutivamente 118 pacientes portadores de aneurismas rotos da Aorta infrarrenal, média de idade de 67,4 anos. Os aneurismas tratados por via endovascular (58 pacientes) utilizaram preferencialmente endopróteses bifurcadas (93,1%). O reparo convencional foi feito em 60 pacientes. A principal indicação para cirurgia convencional foi o comprimento do colo proximal abaixo de 10 mm (média de 7 ± 12,3 mm). A média de comprimento do colo proximal para os casos endovasculares foi de 25 (± 11,9 mm). A mortalidade em 30 dias do grupo endovascular foi 39,6% (26,8% nos estáveis e 70,5% nos instáveis) e no grupo convencional foi 75% (71,7% nos estáveis; 80,9% nos instáveis). Houve diferença estatística para mortalidade no tratamento dos pacientes estáveis hemodinamicamente (p<0,00001), e não para os instáveis hemodinamicamente.

Conclusão: A menor mortalidade nos casos endovasculares, principalmente nos estáveis hemodinamicamente, sugere que este método deve ser a via preferencial para abordagem terapêutica, salvo condição anatômica que impossibilite a técnica. Entretanto, o comprimento do colo proximal parece ser um fator importante que afeta a mortalidade. Apesar do avanço das técnicas endovasculares, operações convencionais sempre serão necessárias e seu treinamento não pode ser descontinuado.

Moderador: Dr. Marcelo Fernando Matielo

Impacto do balonamento e do superdimensionamento das endopróteses de aorta abdominal nas zonas de ancoramento proximal e distal no tratamento do aneurisma de aorta abdominal infrarrenal: análise retrospectiva de 24 meses

2018-10-29T16:37:50-03:00Reunião Científica - 27/09/2018, Vídeos, Vídeos 2018|

Autores: Marcelo Sembenelli (Apresentador), Marcone Lima Sobreira, Matheus Bertanha, Rodrigo Gibin Jaldin, Rafael Elias F. Pimenta, Paula Angeleli B. Camargo, Mariana Secondo, Regina Moura, Winston Bonetti Yoshida.

Instituição: Faculdade de Medicina de Botucatu.

Introdução: O tratamento endovascular do aneurisma de aorta abdominal revolucionou o tratamento desta patologia, com menor morbidade e tempo de internação quando comparado ao tratamento aberto. No entanto, o balonamento e sobredimensionamento da prótese, não obstante garantirem seu selamento, poderia contribuir para o remodelamento dos colos proximal e distal, consequente surgimento de endoleaks e novo crescimento do saco aneurismático.

Objetivo: Correlacionar o balonamento e superdimensionamento transoperatório com a dilatação do saco aneurismático, colo proximal e distal em 6 e 12 meses.

Metodologia: Estudo retrospectivo em que reuniu-se os procedimentos endovasculares realizados entre 2012 e 2014. Realizou-se análise de dados antropométricos e clínico laboratoriais, bem como condições anatômicas dos colos proximais, saco aneurismático e colos distais nas angiotomografi as pré-operatórias e de seguimento em 6 meses e 1 ano. Realizou-se análise da relação entre a realização ou não de balonamento bem como do superdimensionamento nas zonas de ancoragem proximal e distal e aumento do colo proximal, distal ou diâmetro máximo do aneurisma.

Resultados: Notou-se maior diminuição do saco aneurismático em pacientes que não tiveram o colo proximal balonado ( 30% x 20,8%; p = 0,26 ); houve maior decréscimo do saco aneurismático entre os pacientes que não foram submetidos ao balonamento do colo distal em relação aos que foram (36,2% x 12,8%; p=0,025); houve diminuição progressiva do saco aneurismático que foi maior em relação ao maior oversizing proximal( 21,6% em 10-15% x 37,6% se >20%; p=0,97 ); houve relação entre o aumento do colo proximal e o superdimensionamento, sendo diretamente proporcional à porcentagem do oversizing ( 8,2% se 10-15% x 25,8% se > 20%; p = 0,31 ); notou-se aumento do colo distal em relação ao oversizing, sendo maior com superdimensionamento da prótese além de 20% em relação ao colo( 1% se 10-15% x 8,3% se > 20%; p = 0,02).

Conclusão: Há maior diminuição do saco aneurismático na ausência de balonamento ou superdimensionamento e aumento do diâmetro do colo proximal com o superdimensionamento.
Ainda pôde-se notar aumento do colo proximal e distal com sobredimensionamento.

Moderador: Dr. Sidnei Galego

Desenvolvimento de simulador para coleta de gasometria de artéria radial

2018-10-07T23:49:20-03:00Reunião Científica - 27/09/2018, Vídeos, Vídeos 2018|

Autores: Rafael Ávila (apresentador residente), Gabriela Attie, Luis Carlos Nakano, Eduardo Carrijo, Arthur Baston, Raul Daolio, Osias Prestes, Fabio Amaral, Ronald Flumignan, Henrique Jorge Guedes Neto e Jorge Eduardo Amorim.

Instituição: Disciplina de Cirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Introdução: A coleta da gasometria arterial é um procedimento comum, principalmente em ambiente hospitalar. Assim, a análise e o monitoramento dos gases sanguíneos arteriais desempenham um papel importante no diagnóstico e tratamento das condições de saúde. O desenvolvimento de um simulador pode auxiliar os profi ssionais na melhoria da coleta da gasometria.
No entanto, existem vários simuladores de alto custo que podem difi cultar a aprendizagem. Principalmente nas Universidades públicas, que carecem de recursos e fi nanciamento sufi cientes, em países de baixa e média renda, as fontes de simuladores de alto custo podem ser impeditivas. É responsabilidade das instituições que ainda se preocupam com a formação dos alunos desenvolver soluções de baixo custo que possam ser copiadas como exemplo para qualquer outra universidade na mesma situação. Nesse cenário, procuramos desenvolver um protótipo de simulador de baixo custo que pudesse ser fabricado para qualquer outra instituição. O primeiro projeto foi o simulador de coleta de gasometria em artéria radial. Normalmente, a gasometria é responsabilidade de um residente. Portanto, é essencial que o treinamento anterior residente realize o procedimento da melhor maneira antes de uma situação real. O objetivo deste projeto foi o desenvolvimento de um simulador de coleta de gasometria em artéria radial e um protocolo de treinamento para estudantes de graduação e médicos residentes.

Métodos: O silício industrial é uma manipulação fácil e de baixo custo do material e, portanto, foi escolhido para simular uma mão e punho. O silicone foi moldado em uma luva de látex de procedimento comum. Foi utilizado um cateter nasoenteral de silício nº 10 para simular a artéria, pois mimetiza o diâmetro de uma artéria radial real de adulto e permite múltiplas punções, tornando o dispositivo mais durável. Um assistente realizou uma pressão intermitente para uma seringa de 20 mL acoplada ao cateter para simular o pulso arterial, tanto na inspeção quanto na palpação. A cena de simulação foi preparada como um caso clínico em que o residente examinado foi solicitado a realizar uma coleta de gasometria da artéria radial. O checklist avaliou a atitude do residente (apresentação, explicação do procedimento para o paciente e permissão para prosseguir), a escolha do material necessário, a descrição do teste de Allen e, fi nalmente, a coleta de gasometria pelo uso do simulador. Durante o procedimento, foram avaliados todos os parâmetros necessários à punção, como palpação de pulso, local e ângulo de punção, volume de coleta, compressão após a retirada da agulha e bandagem.

Resultados: Cinco simuladores padronizados foram fabricados, a um custo de 25 € cada, para um estudo piloto. Profi ssionais experientes testaram e aprovaram todos os modelos antes de autorizar o uso em larga escala de alunos de graduação em medicina (estagiários). Foram avaliados 107 estagiários a partir do 5º ano de graduação, sendo 55% do sexo masculino. Em um primeiro teste, apenas 40% dos 107 internos realizaram o teste de Allen antes da coleta da gasometria, 65% escolheram corretamente o material necessário para o procedimento, e 72% realizaram corretamente a punção no simulador.

Conclusão: O desenvolvimento e fabricação do simulador de coleta de gasometria para procedimento na artéria radial é viável a um custo razoável (25 € cada). O uso de simulação pode melhorar a educação médica nos meios que permitem a repetição sem risco para o paciente e não precisa ser onerosa.

Moderador: Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves

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