ACHADOS CLÍNICOS, ULTRASSONOGRÁFICOS E HISTOPATOLÓGICOS EM CIRURGIA DE VARIZES

2018-09-05T22:52:33-03:00Reunião Científica - 30/08/2018, Vídeos, Vídeos 2018|

Autores: Giuliano Giova Volpiani (apresentador), Moacir de Mello Porciunculla, Dafne Braga Diamante Leiderman, Rodrigo Altenfeder, Celina Siqueira Barbosa Pereira, Alexandre Fioranelli, Nelson Wolosker, Valter Castelli Junior.

Instituições: Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, Hospital Israelita Albert Einstein e Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Objetivo: Este estudo tem como objetivo correlacionar os dados demográficos, os diferentes graus clínicos da insuficiência venosa crônica (CEAP), com achados ultrassonográficos de refluxo da junção safenofemoral (JSF) e os achados anatomopatológicos do segmento proximal da veia safena magna (VSM) extraído de pacientes com insuficiência venosa crônica (IVC) primária submetidos à safenectomia magna para correção de varizes dos membros inferiores.

Método: Estudo prospectivo de 84 pacientes e 110 membros submetidos a safenectomia magna para o tratamento de varizes de membros inferiores, correlacionando a sua classificação clínica CEAP, presença de refluxo na JSF ao ultrassom Doppler e alterações histopatológicas. Comparamos ainda os achados histopatológicos da VSM proximal retirada dos pacientes com IVC com grupo controle de VSM normal retirada de cadáveres.

Resultados: Média de idade dos pacientes foi maior nos CEAPS avançados quando comparado CEAP C2 (46,1 anos) com C4 (55,7 anos) e C5-6 (66 anos), e pacientes C3(50,6 anos) com C5-6. A espessura da parede da VSM normal (média de 839,7micrometros) foi significativamente menor do que das VSM varicosas (média de 1609,7micrometros). As análises de correlação da presença do refluxo em JSF com a classificação clínica ou achado histopatológico não demostraram ser estatisticamente significativas.

Conclusões: Quanto maior a idade, mais avançada é a classificação clínica da IVC dos pacientes. A espessura da parede da crossa da VSM é maior nos pacientes com IVC e que essas alterações não se correlacionam com a classificação clínica da doença ou com a presença de refluxo na JSF ao ultrassom Doppler.

Moderador: Dr. Carlos Eduardo Varela Jardim

DESENVOLVIMENTO DE SIMULADOR E PROTOCOLO PARA TREINAMENTO EM ESCLEROTERAPIA DE VARIZES

2018-09-05T22:52:20-03:00Reunião Científica - 30/08/2018, Vídeos, Vídeos 2018|

Autores: Vinicius Carvalho (apresentador, residente), Luis Nakano, Francisco Carneiro Junior, Daniel Guimaraes Cacione, Ana Carvalho, Antônio Moura Neto, Gabriela Attie, Luiz Gustavo Schaefer Guedes, Jorge Eduardo Amorim, Ronald Flumignan e Henrique Jorge
Guedes Neto.

Instituição: Disciplina de Cirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo

Introdução: Microvarizes ou telangiectasias são os distúrbios vasculares mais comuns, sendo mais frequentes em mulheres, variando de 30 a 45% na população geral. O tratamento padrão é a escleroterapia com muitos tipos de soluções esclerosantes. A fim de evitar eventos adversos e melhorar os resultados, o médico deve ser previamente bem treinado antes de todo procedimento em humanos.
Como a técnica correta requer a injeção de soluções esclerosantes dentro da veia, o médico deve ser capaz de cateterizar microvasos, às vezes com menos de 1 mm de diâmetro. Não raro, os jovens médicos aprendem a realizar a escleroterapia de maneira teórica e, depois, passam a praticar diretamente no paciente, o que poderia ser eticamente questionável. Nesse cenário, a Universidade tem papel fundamental no desenvolvimento de novos métodos de ensino, melhorando a formação de novos profissionais com mais segurança e ética para o paciente. O projeto teve como objetivo desenvolver um simulador que pudesse melhorar a formação de jovens médicos em escleroterapia venosa. O dispositivo deveria ter um baixo custo, ser facilmente reproduzível e fácil de manusear. Após o desenvolvimento do simulador, foi idealizado um cronograma de treinamento e foram realizados testes iniciais para validação.

Métodos: Uma placa de silicone industrial, com uma cor semelhante à da pele, medindo 5x3x1 cm, compõe a base do simulador. Sobre esta placa, foi aplicado um silicone translúcido em torno de fios de cobre de 0,23 mm, que simulam uma pele com telangiectasias, num total de 20 fios por dispositivo.
Após 48 horas de secagem, os fios de cobre foram retirados, permanecendo apenas o silicone translúcido sobre a base de silicone cor da pele. Para uma melhor visualização, os caminhos foram preenchidos com uma caneta azul parker para maximizar o contraste e simular o sangue. Os micro vasos miméticos podem ser cateterizados com agulha 26-30 G, simulando uma sessão de escleroterapia.
Três examinadores, experientes em escleroterapia, testaram e aprovaram o protótipo e idealizaram um protocolo de treinamento para estudantes de medicina de graduação e médicos residentes.
Foram confeccionados 10 aparelhos com kit de punção para treinamento dos residentes. Utilizou-se uma caneta azul para mimetizar o sangue em microveias simuladas, glicose 75% como solução esclerosante e seringas de 3 ml e 30 G para a punção.
O protocolo de treinamento consistiu em 10 sessões de 10 minutos cada uma. Após o tempo de treinamento, o morador foi avaliado por três examinadores experientes. Foi avaliada a capacidade de cateterizar e injetar a solução esclerosante dentro das microvarizes miméticas. Cada sessão de exame consistiu em 10 tentativas para cateterizar e injetar a solução, completando 100 tentativas. Os residentes foram considerados aptos pelo avaliador se alcançassem uma taxa de sucesso maior que 70%.

Resultados: Foram testados 10 dispositivos de escleroterapia em 10 residentes diferentes médicos, cinco do sexo masculino e cinco do sexo feminino, com idade média de 27 anos. Todos eles puderam realizar todas as sessões.
Percebemos cerca de 50% de erro nas primeiras sessões, com melhora progressiva, e atingimos 90% de sucesso nas sessões mais recentes. Após o nosso protocolo de treinamento sugerido (10 sessões de 10 tentativas em 10 minutos), todos os residentes atingiram a taxa mínima de sucesso de 70%.

Conclusão: Um dispositivo simulador de escleroterapia de baixo custo e de fácil reprodução é viável. Além disso, protocolos de treinamento em dispositivos similares melhoram a formação de melhores residentes e, em seguida, dão mais experiência antes de lidar com pacientes reais.

Moderador: Dr. Calógero Presti

A NECESSIDADE DE IMPLANTE DE FILTRO DE VEIA CAVA INFERIOR EM PACIENTES ONCOLÓGICOS É UM MARCADOR DE PIOR PROGNÓSTICO

2018-09-05T22:40:02-03:00Reunião Científica - 30/08/2018, Vídeos, Vídeos 2018|

Autores: Dafne Braga Diamante Leiderman (apresentadora), Antonio Eduardo Zerati, Maria Paula Vieira Mariz, Nelson Wolosker, Pedro Puech-Leão e Nelson De Luccia

Instituição: Instituto do Câncer do Estado de São Paulo – ICESP HCFMUSP

Introdução: Um a cada cinco pacientes com câncer ativo e TEV apresenta contraindicação a anticoagulação ou recorrência do TEV em vigência de anticoagulação adequada, gerando a necessidade de implante de filtro de veia cava inferior (FVCI). Estudos mostram que grande parte desses pacientes têm sobrevida muito pequena após o implante do FVCI, porém, não se aprofundam na análise de possíveis fatores prognósticos que poderiam identificar pacientes que teriam maior sobrevida com o procedimento. Este é o primeiro estudo tipo caso-controle com um grande número de casos consecutivos (247) de trombose venosa profunda (TVP) proximal em pacientes oncológicos em que se comparou a sobrevida de dois grupos de pacientes: FILTRO versus ANTICOAGULAÇÃO.

Objetivo: Verificar em uma grande casuística se a necessidade de implante de FVCI representa um indicador independente de gravidade em pacientes com câncer e identificar um possível subgrupo em que há maior benefício em sobrevida após o implante do FVCI.

Métodos: Foram estudados, retrospectivamente, 247 pacientes oncológicos consecutivos com TVP proximal de um único serviço oncológico, divididos em dois grupos: grupo FILTRO com 100 pacientes que tinham contraindicação a anticoagulação ou recorrência de TEV em vigência de anticoagulação adequada que foram submetidos ao implante de FVCI; o grupo ANTICOAGULAÇÃO com 147 pacientes em que a anticoagulação foi possível (grupo controle). Analisados dados demográficos, tipo de câncer, presença de TEP, presença de metástase, mortalidade <30 dias e >1ano e as causas de óbito. No grupo FILTRO analisamos a sobrevida dos pacientes de acordo com as indicações do procedimento.
Foi utilizada análise multivariada para verificar a relação dos fatores de risco com sobrevida dos pacientes.

Resultados: A mortalidade geral no grupo FILTRO (88%) foi significativamente maior do que a mortalidade no grupo ANTICOAGULAÇÃO (24,5%), sendo que somente o grupo FILTRO apresentou mortalidade <30 dias (25% dos pacientes). Análise multivariada mostrou que a necessidade do implante de FVCI apresentou isoladamente um risco de óbito 8,83 vezes maior do que o risco de óbito daqueles em que a anticoagulação foi possível. Já a presença de metástase representou, nessa casuística, um risco de óbito 2,47 vezes o risco de óbito dos pacientes com doença localizada. Demonstrou que a probabilidade de sobrevida dos pacientes com doença metastática com TVP proximal submetidos à anticoagulação (grupo ANTIACOAGULAÇÃO com metástase) é maior que a probabilidade de sobrevida dos pacientes com doença localizada que necessitam de implante de FVCI (grupo FILTRO sem metástase). Pacientes que necessitaram de implante de FVCI por outras indicações tiveram risco de óbito 2,24 vezes maior do que o risco de óbito dos pacientes que necessitaram do implante para serem submetidos a procedimentos cirúrgicos de grande porte.

Conclusão: A necessidade de implante de FVCI em pacientes oncológicos é um marcador isolado de gravidade, com risco de óbito 8,83 vezes o risco de óbito dos pacientes oncológicos com TVP em que o tratamento com anticoagulação é possível, sendo definido nesta casuística como fator prognóstico de pior risco do que a presença de metástase. O subgrupo de pacientes, cujo implante do FVCI foi para a realização de procedimento cirúrgico de grande porte, apresenta maior benefício em sobrevida.

Moderador: Dr. Adilson Ferraz Paschôa

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