DESENVOLVIMENTO DE ENDOPRÓTESE PARA O TRATAMENTO DE ANEURISMAS JUSTARRENAIS: DO CONCEITO À EXPERIMENTAÇÃO

Autores: Sergio Belczak (apresentador), Erasmo Simão da Silva, Ricardo Aun, Luiz Lanziotti, Guilherme Agrelli, Glaucia Basso, Yuri Botelho, Domingos Braile, Pedro Puech-Leão e Nelson De Luccia.

Instituição: Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas – Faculdade de Medicina de São Paulo

Objetivos: Os Aneurismas Justarrenais (AJRs) correspondem a 16% dos aneurismas infrarrenais. Há evidências promissoras do tratamento endovascular desses aneurismas, mas com morbimortalidade e custos maiores em relação ao tratamento dos outros aneurismas infrarrenais. Neste contexto, objetivamos analisar parâmetros angiotomográficos de pacientes portadores de AJRs e projetar e desenvolver modelo de endoprótese para o tratamento desses pacientes. Objetiva-se, também, criar e utilizar modelos in vitro e in vivo para a avaliação da endoprótese desenvolvida.

Métodos: Análise de parâmetros angiotomográficos (diâmetros da aorta, comprimento do colo, distâncias e angulações de emergência do tronco celíaco, artéria mesentérica superior e artérias renais e variações anatômicas) de pacientes com aneurismas de aorta justarrenais, no período de janeiro 2009 a outubro 2013. Desenvolvimento de modelo de endoprótese aplicável nos pacientes analisados. Criação de modelo de AJR em vidro para testes e experimentação do dispositivo. Criação de modelo porcino de AJR (seis animais 50-60kg) para avaliação do tratamento do aneurisma com a endoprótese desenvolvida.

Resultado: Foram selecionadas 49 angiotomografias de pacientes portadores de AJR, no período, e os parâmetros avaliados utilizando OsiriX® freeware foram semelhantes aos encontrados na literatura. De acordo com esses parâmetros, desenvolveu-se endoprótese com conceitos inovadores (hourglass concept), que foi aplicável para 85,8% desses casos. O modelo de AJR em vidro evidenciou boa radiopacidade e funcionalidade, favorecendo a realização de ajustes no projeto e refinamento técnico do procedimento de tratamento desses aneurismas. No experimento porcino idealizado para este estudo, criou-se, com sucesso, modelo de aneurisma justarrenal em todos os casos, utilizando patch de pericárdio bovino e, após a realização de três pilotos, evidenciou-se factibilidade de tratamento com o dispositivo desenvolvido (endoprótese Hourglass).

Conclusão: A endoprótese Hourglass, alterando apenas o seu diâmetro, é aplicável em 85,8% dos pacientes portadores de AJRs das angiotomografias do estudo. Os modelos de experimentação in vitro e in vivo realizados evidenciaram ser bons modelos para avaliação dessa endoprótese e possíveis futuros experimentos para o tratamento endovascular de aneurismas justarrenais. Após a realização de testes finais, a endoprótese desenvolvida poderá ser submetida em protocolo para utilização em humanos. Atualmente, o protocolo para teste em humanos está em andamento no Hospital das Clínicas (HCFMUSP), em fase de liberação pelo Comitê de Ética e Pesquisa.

Comentador: Carlos Eduardo Varela Jardim