Desenvolvimento de simulador para coleta de gasometria de artéria radial

Autores: Rafael Ávila (apresentador residente), Gabriela Attie, Luis Carlos Nakano, Eduardo Carrijo, Arthur Baston, Raul Daolio, Osias Prestes, Fabio Amaral, Ronald Flumignan, Henrique Jorge Guedes Neto e Jorge Eduardo Amorim.

Instituição: Disciplina de Cirurgia Vascular da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.

Introdução: A coleta da gasometria arterial é um procedimento comum, principalmente em ambiente hospitalar. Assim, a análise e o monitoramento dos gases sanguíneos arteriais desempenham um papel importante no diagnóstico e tratamento das condições de saúde. O desenvolvimento de um simulador pode auxiliar os profi ssionais na melhoria da coleta da gasometria.
No entanto, existem vários simuladores de alto custo que podem difi cultar a aprendizagem. Principalmente nas Universidades públicas, que carecem de recursos e fi nanciamento sufi cientes, em países de baixa e média renda, as fontes de simuladores de alto custo podem ser impeditivas. É responsabilidade das instituições que ainda se preocupam com a formação dos alunos desenvolver soluções de baixo custo que possam ser copiadas como exemplo para qualquer outra universidade na mesma situação. Nesse cenário, procuramos desenvolver um protótipo de simulador de baixo custo que pudesse ser fabricado para qualquer outra instituição. O primeiro projeto foi o simulador de coleta de gasometria em artéria radial. Normalmente, a gasometria é responsabilidade de um residente. Portanto, é essencial que o treinamento anterior residente realize o procedimento da melhor maneira antes de uma situação real. O objetivo deste projeto foi o desenvolvimento de um simulador de coleta de gasometria em artéria radial e um protocolo de treinamento para estudantes de graduação e médicos residentes.

Métodos: O silício industrial é uma manipulação fácil e de baixo custo do material e, portanto, foi escolhido para simular uma mão e punho. O silicone foi moldado em uma luva de látex de procedimento comum. Foi utilizado um cateter nasoenteral de silício nº 10 para simular a artéria, pois mimetiza o diâmetro de uma artéria radial real de adulto e permite múltiplas punções, tornando o dispositivo mais durável. Um assistente realizou uma pressão intermitente para uma seringa de 20 mL acoplada ao cateter para simular o pulso arterial, tanto na inspeção quanto na palpação. A cena de simulação foi preparada como um caso clínico em que o residente examinado foi solicitado a realizar uma coleta de gasometria da artéria radial. O checklist avaliou a atitude do residente (apresentação, explicação do procedimento para o paciente e permissão para prosseguir), a escolha do material necessário, a descrição do teste de Allen e, fi nalmente, a coleta de gasometria pelo uso do simulador. Durante o procedimento, foram avaliados todos os parâmetros necessários à punção, como palpação de pulso, local e ângulo de punção, volume de coleta, compressão após a retirada da agulha e bandagem.

Resultados: Cinco simuladores padronizados foram fabricados, a um custo de 25 € cada, para um estudo piloto. Profi ssionais experientes testaram e aprovaram todos os modelos antes de autorizar o uso em larga escala de alunos de graduação em medicina (estagiários). Foram avaliados 107 estagiários a partir do 5º ano de graduação, sendo 55% do sexo masculino. Em um primeiro teste, apenas 40% dos 107 internos realizaram o teste de Allen antes da coleta da gasometria, 65% escolheram corretamente o material necessário para o procedimento, e 72% realizaram corretamente a punção no simulador.

Conclusão: O desenvolvimento e fabricação do simulador de coleta de gasometria para procedimento na artéria radial é viável a um custo razoável (25 € cada). O uso de simulação pode melhorar a educação médica nos meios que permitem a repetição sem risco para o paciente e não precisa ser onerosa.

Moderador: Dr. Celso Ricardo Bregalda Neves

2018-10-07T23:49:20+00:00 27 set 2018|Reunião Científica - 27/09/2018, Vídeos, Vídeos 2018|