Autores: Rafael de Athayde Soares, Rafael Salem Vedovello, Samanta Christine Guedes de Medeiros, Celso Zaff ani Nunes, Carlos Alberto Sian e Paulo Daenekas de Melo Jorge

Instituição: Serviço de Cirurgia Vascular do Hospital Regional Sul

Introdução: A Covid-19 pode afetar desproporcionalmente as pessoas com doença cardiovascular. As séries de casos relataram arritmias cardíacas como eventos terminais em pacientes com infecção por Covid-19. Além disso, o SARS-CoV-2, o agente causador da Covid-19, demonstrou estabelecer-se no hospedeiro através do uso da enzima conversora de angiotensina 2 como seu receptor celular. Sabe-se também que o diabetes pode aumentar os riscos de infecções, incluindo influenza e pneumonia. De fato, o diabetes estava presente em 42,3% das 26 mortes por Covid-19 em Wuhan, China. Outro estudo, em 150 pacientes (68 mortes e 82 pacientes recuperados) em Wuhan, demonstrou que o número de comorbidades é um preditor significativo de mortalidade em pacientes com infecção por Covid-19.

Resultados: Paciente do sexo masculino, 67 anos, diabético, hipertenso, admitido no pronto-socorro com histórico de úlcera necrótica no maléolo externo do membro inferior esquerdo, sem pulsos poplíteos e distais palpáveis. A ultrassonografia Doppler arterial identificou oclusão femoropoplítea, com reenchimento de artéria poplítea infragenicular e perviedade da artéria fibular. Foi realizado procedimento endovascular, com necessidade de acesso por punção retrógrada na artéria poplítea para restabelecer o fluxo sanguíneo e implante de stent em artéria poplítea. O sucesso técnico foi alcançado e, em seguida, o paciente foi submetido ao desbridamento da ferida. No segundo dia, depois de 48 horas do pós-operatório, o paciente apresentou quadro respiratório, como tosse e dispneia. Foi submetido a uma tomografia computadorizada do tórax que identificou opacidades em vidro fosco e broncograma aéreo bilateralmente nos pulmões, com teste de RT–PCR positivo para o Sars-Cov-2. O paciente foi transferido para uma unidade de terapia intensiva, necessitando de ventilação mecânica.
Recebeu hidroxicloroquina e azitromicina. Apesar do tratamento em suporte intensivo, o paciente morreu quatro dias após o diagnóstico de Covid-19.

Conclusão: Este relato de caso demonstrou que um paciente com isquemia crítica do membro submetido a um procedimento endovascular apresentou uma evolução fatal no pós-operatório devido a uma infecção por Covid-19, corroborando a ideia de que pacientes com doença oclusiva arterial periférica, devido a comorbidades clínicas, tais quais, idade avançada, hipertensão e diabetes, estão relacionadas ao pior prognóstico quando infectado com SARS-Cov-2. Mais estudos sobre o tratamento para a Covid-19 são necessários na literatura geral.

Comentador: Dr. Fábio Rodrigues Ferreira do Espírito Santo

DIAGNÓSTICO DE COVID-19 EM PACIENTES COM ISQUEMIA CRÍTICA DE MEMBROS INFERIORES: COMPLICAÇÕES E DESFECHOS CLÍNICOS