Autor: Conrado Martins Lino e Ana Terezinha Guillaumon

Instituição: Faculdade de Medicina Unicamp

Resumo: Os Aneurismas da Aorta Abdominal Infrarrenal (AAA) são de importância especial por se tratarem daqueles mais frequentes na prática clínica, sendo uma patologia de alta morbimortalidade, principalmente quando associado à rotura [1]. O presente estudo foi uma análise retrospectiva dos prontuários de todos os casos de AAA Infrarrenal Roto (n= 36), atendidos pela equipe de Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da Unicamp, que foram submetidos à correção aberta convencional (n=20) e endovascular (n=16), no período de janeiro de 2012 a janeiro de 2017. O objetivo foi avaliar as diferenças entre as duas técnicas quanto a: idade, sexo, comorbidades, tempo de história até a chegada ao serviço, tipo de anestesia, prótese utilizada, complicação precoce (<30 dias) e tardia (>30dias), óbito no intraoperatório e tardio (>30dias). A média de idade encontrada foi de 71,29 anos, com predomínio do sexo masculino (88%), sendo as comorbidades mais prevalentes para ambas: tabagismo (75%) e hipertensão arterial (63% endovascular e 70% aberta).
A abordagem endovascular está cada vez mais frequente nos grandes centros, com endopróteses mais modernas e que se adaptam as diferentes anatomias do eixo aorto-ilíaco, trazendo menores taxas de morbimortalidade principalmente no pós-operatório imediato (<30dias) [4]. Ao analisar as complicações no pós-operatório imediato (<30dias) e tardio (>30dias) observa-se maior frequência de ausência de complicações na endovascular (50% e 38% respectivamente) e na aberta (20% em ambas). Os índices de mortalidade no intraoperatório e tardio são maiores na aberta (45% e 31% respectivamente) versus endovascular (zero e 25% respectivamente). Conclui-se que no nosso serviço a abordagem endovascular no doente com AAA infrarrenal roto traz menores taxas de complicação e mortalidade em relação à abordagem aberta, principalmente no pós-operatório imediato, sendo uma boa opção de tratamento quando existir anatomia favorável.

Comentador: Dr. Alexandre Fioranelli