ESTUDO DA PREVALÊNCIA DE ANEURISMA DE AORTA ABDOMINAL EM PESSOAS IDOSAS ATENDIDAS EM SÃO CAETANO DO SUL

Autores: Diego Monteiro de Melo Lucena, Sidnei José Galego, Luisa Biseo Henriques, Ramon Félix Fernandes, Sorai Helal, Lidiane Rocha Brand (apresentadora), Setaphania Morreale, Giovanna Vizentini e João Antônio Correa

Instituição: Serviço de Angiologia e Cirurgia Vascular de São Caetano do Sul – Liga Acadêmica de Angiologia e Cirurgia Vascular da Faculdade de Medicina do ABC

Palavras-chave: Aneurisma de Aorta Abdominal, Epidemiologia e Ultrassonografia

Introdução: O aneurisma é definido como uma dilatação focal e permanente da artéria, com aumento de pelo menos 50% do diâmetro normal do vaso. Os Aneurismas de Aorta Abdominal (AAA) são os mais comuns e considera-se um AAA quando o diâmetro do seguimento comprometido tiver pelo menos 3 cm¹. O AAA causa, aproximadamente, 175 mil casos de morte no mundo², sendo que a ruptura desse aneurisma representa cerca de 80% dos casos³. Estudos epidemiológicos demonstraram uma frequência que compreende entre 0,5% e 3,2% de AAA em indivíduos com idade superior a 65 anos, nos Estados Unidos.

Objetivo: Determinar a prevalência de Aneurisma de Aorta Abdominal em indivíduos com idade igual ou superior a 60 anos.

Método: Trata-se de um estudo transversal realizado durante um Mutirão de Vascular na cidade de São Caetano do Sul, em 2015, no qual foram selecionados, ao acaso, 43 pacientes de ambos os sexos e com idade igual ou superior a 60 anos, para rastreamento de Aneurisma de Aorta Abdominal, por meio de medidor de ultrassonografia Samsung mysono U6.

Foram analisadas as dimensões ântero-posterior, látero- lateral e longitudinal, sendo considerada a medida do maior diâmetro. Os pacientes analisados foram caracterizados em grupos de acordo com a medida do diâmetro de escolha, sendo os indivíduos do grupo I entre 1 e 2 cm, grupo II entre 2 e 3 cm, grupo III entre 3 e 4 cm e grupo IV aqueles com diâmetro maior do que 4 cm. Foram considerados aneurismas os casos de diâmetro maior ou igual a 3 cm. Para análise descritiva dos resultados, foi utilizado o programa estatístico Stata 11.0.

Resultados: Nos 43 pacientes estudados, apenas um apresentou dilatação compatível com o grupo III, de valor 3,3 cm. O grupo I apresentou 31 pacientes, sendo o menor valor encontrado 1,1 cm e o maior 1,9 cm. O grupo II apresentou 11 pacientes, sendo o valor mínimo e máximo encontrados 2 cm e 2,4 cm, respectivamente. Já o grupo IV não apresentou nenhum indivíduo, uma vez que nenhum possui diâmetro maior do que 4 cm. Sendo assim, a prevalência de aneurisma de aorta abdominal foi de um caso em 43 estudados, ou seja, 2,3% da amostra, número compatível com estudos prévios de prevalência de AAA.

Conclusão: O estudo demonstrou que a prevalência de Aneurisma de Aorta Abdominal segue os mesmos resultados encontrados na literatura. O conhecimento da epidemiologia do aneurisma se mostra importante para determinar o futuro do rastreamento dessa doença e, assim, aprimorar as políticas públicas de saúde na prevenção de suas complicações.

Desse modo, esse estudo pode auxiliar com a redução da morbimortalidade por Aneurisma de Aorta Abdominal.

  1. Pearce W. H., Annambhotla S., Rowe V. L., Bessman E., Brown D. F. M., Kaufman J. L., O’Connor R. E., Setnik G. TF. Abdominal Aortic Aneurysm. Background [Internet]. Medscape. 2014. Available from: http://emedicine.medscape.com/article/1979501- overview#a0101
  2. Institute for Health Metrics and Evaluation. Global Burden of Disease Study. http://www.healthmetricsandevaluation. org/gbd/visualizations/gbdcause-patterns
  3. Ashton HA, Buxton MJ, Day NE, Kim LG, Marteau TM, Scott RA et al.; Multicentre Aneurysm Screening Study Group. The Multicentre Aneurysm Screening Study (MASS) into the effect of abdominal aorticaneurysm screening on mortality in men: a randomized controlled trial. Lancet 2002; 360: 1531–1539.
  4. Lederle FA, Johnson GR, Wilson SE, Chute EP, Littooy FN, Bandyk D, et al. Prevalence and associations of abdominal aortic aneurysm detected through screening. Aneurysm Detection and Management (ADAM) Veterans Affairs Cooperative Study Group. Ann Intern Med. 1997 Mar 15. 126(6): 441-9. [Medline].

Comentador: Dr. Marcelo Rodrigo de Souza Moraes