Autores: Bruno Fabrício Feio Antunes (apresentador), Marcelo Passos Teivelis, e Nelson Wolosker

Instituição: Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução: O aneurisma do eixo aorto-ilíaco é uma doença de alta mortalidade quando sintomático.O diagnóstico precoce de sinais que podem estar associados à ruptura e o tratamento do aneurisma em tempo hábil podem evitar a ocorrência desta e diminuir sua mortalidade.

Objetivos: Avaliar a prevalência dos sinais de instabilidade em pacientes assintomáticos com aneurismas abdominais do eixo aorto-ilíaco submetidos à tomografia de abdome e pelve em uma única instituição.

Descrever se algum desses sinais em pacientes assintomáticos, esteve associado à ruptura posterior, assim, como descrever o tempo em que cada sinal esteve livre de ruptura.
Métodos: Estudo retrospectivo de aneurismas do eixo aorto-ilíaco abdominal, relatados em laudos de tomografia de um único serviço em 10 anos. Os laudos foram revisados por dois observadores, e os
pacientes com sinais de instabilidade divididos em três grupos: (1) sintomático inicial, de pacientes que apresentavam dor abdominal ou lombar, (2) sintomático tardio, assintomáticos na primeira tomografia, que apresentaram sintomas e realizaram novo exame, e (3) sempre assintomáticos que nunca apresentaram sintomas. Foram utilizados os quatro principais sinais da literatura: 1) sinal do crescente; 2) descontinuidade das calcificações circunferenciais; 3) protuberâncias ou bolhas
na parede arterial; 4) drape aorta.

Resultados: Identificamos 759 aneurismas do eixo aorto-ilíaco, encontramos 41 exames, de pacientes diferentes, com sinais de instabilidade. Dez, dos 41 pacientes, estavam sintomáticos quando realizaram a primeira tomografia, levando a uma prevalência em assintomáticos de 4.14% (n=31/749). A descontinuidade das calcificações foi o sinal mais frequente em 46,3% dos casos (n= 19/41). Não foi observada diferença estatística da prevalência dos sinais de instabilidade entre os três grupos. Do total de pacientes, com sinais de instabilidade, 26 foram operados, sendo nove nos sintomáticos iniciais, dois em sintomáticos tardios e 15 nos sempre assintomáticos. Em 11 pacientes assintomáticos, que fizeram tomografias de controle, 54,5% destes evoluíram com aumento do diâmetro do aneurisma, três evoluíram com ruptura (todos com descontinuidade das calcificações), sendo em um deles sem aumento do diâmetro do aneurisma. O tempo médio entre as tomografias foi de 542,33 dias, variando de cinco a 1.961 dias.

Conclusões: Menos de 5% dos pacientes assintomáticos apresentaram algum sinal de instabilidade. A presença de descontinuidade das calcificações foi o sinal mais frequente e talvez esteja associada a um maior risco de apresentação de sintomas futuros, podendo ser considerada como indicativo de cirurgia mais precoce. O tempo livre de ruptura para a maioria dos sinais foi maior que 100 dias, houve manutenção dos sinais de instabilidade, com crescimento dos aneurismas nos pacientes
de seguimento clínico, mostrando que somente o sinal na ausência de outros fatores clínicos ou outras características do aneurisma não é suficiente para indicar uma cirurgia, não podendo associar as rupturas ocorridas ao sinal de instabilidade pela não significância do estudo.

Comentador: Dr. Edwaldo Edner Joviliano

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