Autores: Camila Baumann Beteli, Fábio Henrique Rossi, Bruno Lorenção de Almeida, Nilo Mitsuru Izukawa, Cybelle Bossolani Onofre Rossi, Sthefano Atique Gabriel, Antônio Massamitsu Kambara

Instituto: Dante Pazzanese de Cardiologia

Introdução: A termoablação vem substituindo a cirurgia convencional no tratamento cirúrgico do refluxo da veia safena magna em pacientes portadores de varizes dos membros inferiores. Contudo, a termoablação apresenta elevados custos. A Eletrocoagulação endovenosa pode, seletivamente e de forma segura, causar necrose da parede da veia safena magna, mas seus resultados clínicos nunca foram estudados previamente. O objetivo deste estudo é comparar a Eletrocoagulação e a Radiofrequência no tratamento da insuficiência da veia safena magna, considerando efi cácia, complicações e impacto na qualidade de vida.
Métodos: Trata-se de um ensaio clínico prospectivo, randomizado e duplo-cego. Os pacientes portadores de varizes de membros inferiores e refluxo de veia safena magna ao Eco Doppler colorido foram randomizados em dois grupos de tratamento: Eletrocoagulação ou Radiofrequência.
O seguimento dos pacientes ocorreu após uma semana, três meses e seis meses do procedimento. O desfecho primário foi considerado como oclusão da veia safena magna ao Eco Doppler colorido e o desfecho secundário, como a taxa de complicações e a melhora na qualidade de vida, mediante pontuação do Escore de Gravidade Clínica Venosa e Questionário Aberdeen para Veias Varicosas.

Resultados: Foram incluídos no estudo 57 pacientes, totalizando 85 veias safenas magnas tratadas, sendo que 43 foram submetidas à Radiofrequência, e 42 à Eletrocoagulação. Não houve diferença estatisticamente signifi cante entre os grupos, no pré-operatório, em relação à idade (P = 0,264), gênero (P = 0,612), Escore de Gravidade Clínica Venosa (P = 0,125), Questionário Aberdeen para Veias Varicosas (P = 0,054), diâmetro (P = 0,880) e profundidade (P = 0,763) da veia safena magna tratada.
No intraoperatório, imediatamente após a realização da termoablação, todas as veias safenas magnas submetidas à eletrocoagulação apresentaram ausência de fluxo no segmento tratado e incompressibilidade, enquanto 12 membros ainda exibiam fluxo em sua veia safena magna tratada (P < 0,001) e nove veias apresentavam-se compressíveis (P < 0,001), quando submetidas à Radiofrequência. A principal complicação pós-operatória encontrada foi a parestesia, não havendo signifi cância estatística quanto à sua presença entre os grupos (P = 0,320).
O tempo de retorno às atividades rotineiras foi menor no grupo da Eletrocoagulação em relação ao grupo da Radiofrequência (P = 0,026). Não houve diferença entre os grupos em relação à taxa de oclusão da veia safena magna no seguimento de três meses (P = 0,157) e seis meses (P = 0,157), bem como na melhora da pontuação do Questionário Aberdeen para veias varicosas após três meses (P = 0,786) e seis meses (P = 0,401) e na melhora da pontuação do Escore de Gravidade Clínica Venosa
após três meses (P = 0,324) e seis meses (P = 0,367).

Conclusões: A Eletrocoagulação revelou-se um método eficaz para ablação da veia safena magna, com taxa de oclusão venosa, ocorrência de complicações e impacto na qualidade de vida semelhantes àqueles encontrados na Radiofrequência.
Comentador: Dr. Rogério Neser