IMPACTO DA CALCIFICAÇÃO E ESCOAMENTO INFRAPOPLÍTEO NOS DESFECHOS DO TRATAMENTO ENDOVASCULAR DA DOENÇA OCLUSIVA FEMOROPOPLÍTEA

IMPACTO DA CALCIFICAÇÃO E ESCOAMENTO INFRAPOPLÍTEO NOS DESFECHOS DO TRATAMENTO ENDOVASCULAR DA DOENÇA OCLUSIVA FEMOROPOPLÍTEA

Autor Principal: Murilo de Jesus Martins – residente em Cirurgia Vascular.
Coautores: Rafael de Athayde Soares, Marcelo Fernando Matielo, Francisco Cardoso Brochado Neto, Edson T. Nakamura, Marcus Vinicius
M. Cury, Ana Paula M. Pires, Aline Y. Futigami, Rogerio D. Almeida, Amanda Thurler Palomo, Jaliese Dantas Fernandes Morais, Sara Amaral Taira
e Roberto Sacilotto.

Instituição: Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo.

Introdução: Atualmente, o tratamento endovascular da doença oclusiva Fêmoropoplítea (FEPO) passou por mudanças substanciais. A maioria dos consensos recomendava a intervenção endovascular para lesões únicas e curtas e cirurgia aberta para lesões extensas. Entretanto, com os recentes avanços na tecnologia e técnicas endovasculares, os consensos atuais advogam pelo tratamento endovascular em detrimento da cirurgia aberta tanto nas lesões focais quanto nas extensas. Porém, existem poucos estudos na literatura acerca do impacto da calcificação e do escoamento infrapoplíteo no desfecho final do tratamento endovascular da FEPO.

Objetivo: Avaliar os desfechos clínicos, a longo prazo, do tratamento endovascular na (FEPO), dando enfoque na importância da calcificação e do escoamento infrapoplíteo para as estimativas de salvamento de membro e perviedade, além de seus fatores associados.

Métodos: Estudo de coorte, retrospectivo e consecutivo de pacientes com Doença Oclusiva FEPO, submetidos à angioplastia no setor fêmoropoplíteo no Serviço de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo, entre janeiro de
2015 e julho de 2017. Análises realizadas em 720 dias, com regressão de Cox e Kaplan-Meier.

Resultados: No total, 86 angioplastias FEPO foram realizadas em 86 pacientes, com sucesso técnico inicial de 95.34%. A média aproximada do tempo de seguimento e desvio padrão foi de 880 ± 68.84 dias. Quatro pacientes foram excluídos devido falha técnica no procedimento, sendo analisados 82 pacientes e 82 angioplastias FEPO. A indicação de revascularização foi exclusivamente em pacientes com isquemia crítica, sendo a classificação Rutherford V a mais prevalente (64.6%).
A média de idade foi de 74.5 anos, com prevalência de pacientes com sexo feminino (57.3%), hipertensos (90.2%) e diabéticos (81.7%). A mortalidade perioperatória foi de 4.8%. A classificação TASC B foi a mais prevalente (51.2%), bem como a classificação de calcificação grau 4 (47.5%). As estimativas de perviedade primária, perviedade secundária, salvamento de membro e sobrevida total estimadas em 720 dias foram de
60%, 96%, 90% e 82,5%, respectivamente. Em uma análise uni e multivariada, a regressão de Cox mostrou uma pior taxa de perviedade primária em pacientes com uma única artéria infrapoplítea de escoamento ou segmento isolado de artéria poplítea (p = 0.005; HR = 7.69), calcificação grau 4 (p=0.019; HR = 5.48), grau de calcificação >2 (p=0.017; HR = 5.73), ou angioplastia primária sem stent (p=0.021; HR = 5.31). Uma análise univariada mostrou pior estimativa de salvamento de membro em pacientes com uma única artéria infrapoplítea de escoamento ou segmento isolado de artéria poplítea (p=0.039; HR = 4.69).

Conclusão: Os fatores associados com o pior desfecho no tratamento endovascular da doença oclusiva FEPO nesse estudo, considerando insucesso da perviedade primária foram: única artéria infrapoplítea de escoamento ou seguimento isolado de artéria poplítea, calcificação grau 4, calcificação maior que 2 (mais grave) e angioplastia sem uso de stent. Escoamento por única artéria infrapoplítea ou seguimento isolado de artéria poplítea foi associado a menor estimativa de salvamento de membro em uma regressão de Cox em uma em uma análise univariada.

Ação advocatícia perante a invasão de especialidades
2018-12-03T20:41:47+00:00 29 nov 2018|Reunião Científica - 29/11/2018, Vídeos, Vídeos 2018|