IMPLANTE DE CATETER VENOSO CENTRAL PARA DIÁLISE DE CURTA PERMANÊNCIA EM HOSPITAL TERCIÁRIO

IMPLANTE DE CATETER VENOSO CENTRAL PARA DIÁLISE DE CURTA PERMANÊNCIA EM HOSPITAL TERCIÁRIO

Autores: Luciene do Nascimento Lima, Patrícia Maristela Maria Reis, Larissa Albuquerque de Oliveira Silva, Rodolfo Pacheco Quida, Ana Carolina de Oliveira Calixtro, Paulo Matsumura, Sérgio Vitasovic Gomes, Ulisses Ubaldo Mattosinho Mathias, Regina de Faria Bittencourt Costa

Instituição: Hospital Heliópolis

Introdução: A hemodiálise pode ser feita através de cateteres tunelizados ou não e preferencialmente através de fístulas arterio-venosas (FAV). O cateter duplo lúmen não tunelizado, cateter de Shilley, é utilizado para acesso por curto período (20 a 30 dias) até a maturação de uma FAV ou em pacientes que necessitam de diálise de emergência ou ainda em pacientes dialíticos com problemas em seu acesso definitivo.
A urgência renal é um estado clínico comumente associado a pacientes graves. Tal comorbidade, se não tratada rapidamente e de forma assertiva, pode levar o paciente à morte.

Metodologia: No período de julho de 2017 a fevereiro de 2019, foram avaliados os prontuários de pacientes internados em diferentes serviços do hospital, que foram submetidos a implante de cateter de curta permanência (Shilley) para realização de hemodiálise em caráter de urgência, indicados pelo Serviço de Nefrologia. Foram excluídos pacientes submetidos à troca de cateter através de fio guia.
Foram previamente avaliadas as condições clínicas, comorbidades, exames laboratoriais, RX de Tórax e outros exames de imagem quando necessários. Foram analisadas complicações maiores (hemo ou pneumotórax, hematoma cervical significativo, óbito) e complicações menores (necessidade de várias punções, mudança de sítio, punção arterial, dificuldade de progressão do fio guia).
Os pacientes foram submetidos a implante de cateter sob técnica de Seldinger, pela equipe de Cirurgia Vascular no Centro Cirúrgico, exceto naqueles pacientes cuja a condição clínica impedia sua mobilização. O sítio preferencial de punção foi sempre a veia jugular interna direita, por via anterior, onde os cateteres foram implantados na maioria dos pacientes.

Resultados: No período de 20 meses, 113 pacientes foram submetidos a implante de cateter de curta permanência para diálise. Destes, 70 eram do sexo masculino, e a idade variou de 18 a 86 (mediana de 64 anos). Não observou-se ocorrência de complicações maiores. Eram pacientes complexos com mais de duas comorbidades, dentre elas hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus e acidente vascular cerebral que apresentaram taxa de óbito na internação superior a 70%, não relacionados ao implante do cateter. Alguns pacientes foram submetidos a mais de um implante de cateter e apenas um necessitou de diálise peritoneal por falha na implantação de cateteres venosos.

Conclusão: Pacientes submetidos ao implante de cateter de diálise no nosso serviço apresentaram grande complexidades.
Observou-se ausência de complicações maiores no procedimento, explicada pela presença do cirurgião vascular experiente bem como obediência a protocolo de cirurgia segura, incluindo avaliação pré-operatória cuidadosa. Somente foi possível o seguimento dos pacientes em curto e médio prazo, pois os pacientes eram graves em sua maioria e muitos tiveram desfecho fatal.

Comentador: Dr. Sérgio Roberto Tiossi

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