Autores: Marcela Juliano Silva Cunha, Carlos Augusto Ventura Pinto, João Carlos de Campos Guerra, Adriano Tachibana, Maria Fernanda Cassino Portugal (apresentadora), Leonardo José Rolim Ferraz e Nelson Wolosker

Instituição: Hospital Israelita Albert Einstein

Objetivo: Infecções virais foram previamente correlacionadas a estados protrombóticos, e a nova infecção pelo vírus Sars-COV-2 foi associada a níveis elevados de D-dímero, embora não haja relação causal bem estabelecida em literatura. Este trabalho tem como objetivo analisar a incidência, fatores populacionais, formas de tratamento e desfechos da ocorrência de eventos tromboembólicos venosos (TEV), em um grupo de 484 pacientes, hospitalizados por Covid-19, em um hospital quaternário.

Métodos: Um estudo retrospectivo foi conduzido através da análise de prontuário de pacientes que apresentaram TEV (trombose venosa profunda [TVP] e/ou embolia pulmonar [EP]) concomitantemente a um quadro de Covid-19, internados em um hospital quaternário de São Paulo – SP. A prevalência de TVP, características demográficas e clínicas, sítio de TVP e EP, variação do D-dímero, regime de anticoagulação, métodos terapêuticos adicionais e desfechos foram avaliados. Dados categóricos foram expressos como frequências absolutas e porcentagens, e dados contínuos, como médias com desvio padrão e valores mínimos e máximos. Os valores de D-dímero superiores a 3,000 ng/mL foram\ individualizados no segundo momento de ocorrência com uso do método de Bonferroni e comparados por meio de equações de estimativa generalizada. Os testes foram conduzidos com nível de significância de 5%.

Resultados: Um total de 484 casos confirmados de Covid-19 foram admitidos no serviço ao longo do tempo do estudo. Destes, 13 (2.68%) apresentaram TEV concomitante. TVP associada a EP ocorreu em cinco casos; EP isolada em dois casos e TVP isolada em seis casos. A maior parte dos casos ocorreu em regime de terapia intensiva. No momento atribuído ao início do quadro, os níveis de D-dímero foram superiores a 3,000ng/Ml em oito (80%) pacientes, o que representou uma diferença significativa com relação aos níveis admissionais (p < .05). Uma queda significativa também foi observada nos valores de D-dímero na alta hospitalar (p < .05). Todos os pacientes receberam tromboprofilaxia farmacológica e/ou anticoagulação conforme indicado. Ocorreram dois óbitos ao longo do tempo do estudo, ambos pacientes com comorbidades severas. À conclusão do protocolo do estudo, nove pacientes haviam recebido alta e dois permaneciam hospitalizados, mas não apresentavam sinais de piora do quadro de TEV.

Conclusão: A prevalência de TEV em pacientes hospitalizados por Covid-19 foi de 2.7%, sendo mais frequente a ocorrência em terapia intensiva.
A instituição precoce de profilaxia e de anticoagulação plena imediatamente após o diagnóstico de TEV, deve ser o objetivo para grupos dedicados ao cuidado deste tipo de paciente.

Comentador: Dr. Ronald Luiz Gomes Flumignan

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