Autores: Dafne Braga Diamante Leiderman, Kauê Polizel Souza, Carlos Eduardo Tomé Binatti, Cynthia de Almeida Mendes, Marcelo Passos Teivelis, Carolina Faustino Brito, Dânae Braga, Diamante Leiderman e Nelson Wolosker

Instituição: Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução: Incidência de fratura de cateteres totalmente implantáveis é de 0.48-5% e é uma complicação potencialmente fatal. Os mecanismos de fratura de cateteres implantados via jugular não são claros na literatura e se os movimentos extremos do braço poderiam ser um fato de risco adicional por levar ao estresse repetitivo do material. O objetivo desse estudo é demonstrar e classificar as deformidades no cateter, provocadas pela mobilização extrema do braço e relacioná-la com alterações de funcionamento e deslocamento do cateter.

Métodos: Analisamos 60 pacientes consecutivos no intraoperatório ao fim do implante com auxílio da radioscopia. Foram realizadas imagens em três posições: braço em máxima abdução, a máxima elevação frontal e máxima adução, e comparadas com a imagem em repouso. Para classificar as deformidades, o cateter foi dividido em três regiões: A, que consiste no segmento entre o cateter e o reservatório subcutâneo; B, no seu trajeto subcutâneo; e C, sua entrada na veia jugular. As deformidades foram classificadas de forma comparativa, sendo 0 (sem nenhuma alteração), 1 (alterações leves que não aparentam colocar em risco a integridade e o funcionamento) e 2 (alterações maiores, como torções, angulações agudas, loopings e kinkings). Foram analisadas também alterações do seu funcionamento (fluxo e refluxo) e deslocamentos do reservatório e ponta do cateter
em cada posição.

Resultados: Apenas 15% não tiveram nenhuma deformidade, 33,3% tiveram deformidade em uma posição e 41,7% apresentaram em 2 posições e 10% apresentaram nas três posições. A deformidade leve esteve presente em 70% dos pacientes, a tipo 2 em 40% e 25% apresentaram os dois tipos. Das alterações graves, 25% foi em máxima elevação, 23,3% foi em máxima adução e nenhuma foi em máxima abdução. A região B foi a mais afetada, com 57,8% das deformidades leves e 78,1% das graves. Não houve alteração de funcionamento em 91,7% dos cateteres. A máxima adução causou maiores deslocamentos da
ponta do cateter e do reservatório na horizontal. Maiores índices de massa corpórea foram associados com deformidades graves.

Conclusão: Os movimentos de máxima elevação e máxima adução estão relacionados com o maior risco de deformidades graves do cateter e o trajeto subcutâneo foi a região mais deformada. Há uma associação entre deformidades graves do cateter e paciente com maiores BMI, e não houve correlação significativa dessas deformidades com a idade e sexo. E não há associação significativa com as deformidades ou o deslocamento da ponta ou do reservatório do cateter com alteração do seu funcionamento.

Comentador: Dr. Guilherme Yazbek