NEFROPATIA INDUZIDA POR CONTRASTE INTRA-ARTERIAL EM PACIENTES COM ISQUEMIA CRÍTICA DE MEMBROS INFERIORES: AVALIAÇÃO DOS FATORES DE RISCO E RESULTADOS EM MÉDIO PRAZO

Autores: Marcus Vinícius Martins Cury, Marcelo Fernando Matielo, Francisco Cardoso Brochado Neto, Jalíese Dantas Fernandes Morais, Rafael de Athayde Soares, Aline Yoshimi Futigami, Christiano Stchelkunoff Pecego e Roberto Sacilotto

Objetivo: Determinar os fatores de risco e as consequências da nefropatia induzida por contraste (NIC) em pacientes portadores de isquemia crítica crônica (CLI) de membros inferiores após o emprego de contraste intra-arterial diagnóstico e/ou terapêutico.

Métodos: Em um período de 12 meses (maio de 2013 a maio de 2014), realizamos um estudo prospectivo, observacional e consecutivo em 107 pacientes internados com CLI, com indicação de estudo angiográfico. O diagnóstico de NIC foi estabelecido a partir da elevação em, pelo menos, 25% da creatinina basal até o quinto dia após a infusão de contraste. No acompanhamento, os principais desfechos pesquisados foram: independência de hemodiálise e sobrevida global. As análises estatísticas incluíram os testes de Pearson χ 2, regressão linear e curvas Kaplan-Meier. Foi admitido o valor de p < 05 como estatisticamente significativo.

Resultados: No grupo total (n = 107) houve predominância do sexo masculino (57%) com média de idade de 70,5 ± 10,7 anos. A principal comorbidade foi a hipertensão arterial sistêmica (82,2%) e 21,5% dos pacientes apresentavam insuficiência renal crônica (IRC) estágio III. A principal indicação para o estudo arteriográfico foi a CLI Rutherford 5 (82,2%). A taxa de filtração glomerular (TFG) média pré-estudo foi de 64,5 ± 29,7 ml/min, com volume cumulativo médio de contraste de 148,5 ± 79,4 ml. A incidência de NIC foi de 35,5%, sendo a IRC o único fator de risco associado a essa condição (razão de risco = 3,07, IC 95% = 1,1 – 7,92, p = 0,017). Em um modelo de regressão linear, o fator preditor que melhor se correlacionou à TFG pós-contraste foi a TFG pré-contraste (r2 = 0,751), ao passo que a creatinina sérica avaliada isoladamente não apresentou boa correlação (r2 = 0,176).
A mediana de seguimento ambulatorial foi de 645 dias (4 – 1134). As análises dos desfechos em médio prazo (720 dias) demonstraram que a presença de NIC foi associada a piores resultados de independência de hemodiálise (96,3% vs. 84,2%, p = 0,027) e sobrevida global (66,3% vs. 49,5%, p = 0,046).

Conclusão: Na execução de exames com contraste, uma atenção especial deve ser observada nos pacientes com diagnóstico prévio de IRC. A avaliação isolada da creatinina sérica pré-operatória é inferior à avaliação do clearance de creatinina na determinação da TFG pós-contraste. Além disso, a ocorrência da NIC apresentou impacto negativo sobre a independência de hemodiálise e sobrevida global em médio prazo.

Comentador: Dr. Nelson Wolosker