O uso de contraste por microbolhas em ultrassonografia na vigilância após correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal – 28/03/2019

Autores: Carolina Brito Faustino; Nelson Wolosker; Carlos Augusto Pinto Ventura; Andre Brunheroto

Instituição: Hospital Israelita Albert Einstein

Introdução: O ultrassom com injeção de contraste por microbolhas (CMUS) é uma modalidade diagnóstica, cujos estudos internacionais
recentes demonstram boa acurácia no seguimento de complicações após EVAR; no entanto, há poucos estudos nacionais que abordem esse método de seguimento, ainda pouco utilizado e difundido no Brasil. O objetivo desse estudo, é descrever a experiência do Hospital
Israelita Albert Einstein (HIAE) no seguimento de EVAR com CMUS, descrevendo a técnica empregada, os principais achados, as difi culdades e comparações com outros métodos de seguimento.

Métodos: Foram avaliados 21 pacientes, entre 2015 e 2017, em seguimento pós-operatório de EVAR, no HIAE. Todos os pacientes são do sexo masculino, com idades entre 65 e 83 anos (média 80 anos, mediana 73 anos). Em todos os casos, foi realizada a USGD, seguida pela posterior injeção de contraste de microbolhas (Sonovue® Bracco). Foram analisadas as indicações dos exames, as complicações dos
exames, o diagnóstico das lesões, nos casos que evidenciavam vazamentos, a origem dos mesmos, e uma comparação entre o exame sem contraste e o exame com contraste realizado pelo avaliador. Para comparar o exame Doppler colorido (USDG) com o exame contrastado (CMUS), utilizamos os seguintes parâmetros: a confi rmação ou a detecção de vazamento no interior do saco aneurismático, a mensuração de suas dimensões assim como a análise do tipo de vazamento.

Resultados: Dos 22 pacientes avaliados, 10 apresentaram complicações evidenciadas pelo método; sendo sete pacientes diagnosticados com Endoleak, dois pacientes com estenose em ramo de endoprótese e um paciente com dissecção em Artéria Ilíaca Externa.
Em relação aos sete casos com endoleak diagnosticados, em apenas um caso não se caracterizou a origem do vazamento. Em dois, desses sete casos, o vazamento não foi identifi cado no modo USGD. E ainda, em outros dois
casos, nos quais a USDG já havia identifi cado o vazamento, houve uma caracterização ainda melhor do mesmo, após a injeção do contraste. Não houveram complicações relacionadas à realização do exame com contraste.

Conclusão: Assim, o CMUS já é uma técnica bastante estudada e utilizada internacionalmente para seguimento após EVAR, com acurácia semelhante à angiotomografi a, porém pouco difundida em nosso país. Em teoria, pode ser mais confi ável que a ATC na classificação e avaliação do vazamento, já se demonstrou um método seguro e não inferior a ATC no diagnóstico de complicações, podendo ser utilizado no seguimento e apenas complementado pela ATC para melhor condução terapêutica, quando houver indicação de intervenção.
Tem indicação, ainda, em casos de crescimento de saco aneurismático, sem achado de vazamento pela ATC. E seguimento de endoleaks tipo II, com redução de custos, exposição a contraste iodado e radiação. A experiência de vários anos da nossa instituição (HIAE) demonstra a possibilidade e efi cácia dessa técnica em nosso país, comprovando suas indicações e resultados.

Moderador: Dr. Marcos Roberto Godoy

O uso de contraste por microbolhas em ultrassonografia na vigilância após correção endovascular de aneurisma de aorta abdominal