Autores: Felipe S. Ribeiro, Pedro Puech-Leão, Antonio E. Zerati, William C. Nahas, Elias David-Neto, e Nelson De Luccia

Instituição: Departamento de Cirurgia Vascular, Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Introdução: A compressão da veia renal esquerda (VRE) no espaço entre a artéria mesentérica superior (AMS) e a aorta foi descrita primeiramente por El Sadr e Mina, em 1950.
Em 1972, De Schepper utilizou pela primeira vez o termo “síndrome de nutcracker” (SN) para pacientes com manifestação
clínica da compressão. A evolução dos métodos diagnósticos por imagem elevou a frequência do achado do estreitamento
da VRE nesta localidade.

Objetivo: Avaliar a frequência com que os sinais tomográfi cos indicativos de compressão signifi cativa da VRE (também chamado de fenômeno de Nutcracker) são encontrados em uma população normal e assintomática.

Casuísticas e métodos: Estudo anatômico retrospectivo, descritivo, baseado na análise de angio-tomografi as de alta
defi nição de doadores renais vivos, selecionados de acordo com os critérios de Amsterdã (2004) em nossa instituição. Foram avaliados 324 exames tomográficos quanto a presença dos principais critérios atuais para compressão da VRE, incluindo o Beak Sign; ângulo aorto-mesentérico <41º, o índice de diâmetro da VRE ≥4,9; Beak angle ≥32º. A presença de varizes pélvicas, bem como o aumento do diâmetro (>0,5cm) da veia gonadal esquerda (VGE), foram também avaliados. Dados antropométricos (sexo, idade, peso, altura) e laboratoriais foram extraídos dos registros de prontuário.

Resultados: A média do ângulo aortomesentérico foi 53,1º no sexo feminino e 58,7º no masculino (p-0,044). O beak sign e beak angle estiveram presentes respectivamente em 15,3% e 9,8% da amostra, ambos com maior predileção para sexo feminino (p=0,01).
O Ângulo aorto-mesentérico <41º foi identifi cado em 30,5% dos pacientes estudados, com predileção para o sexo feminino (p<0,01).
O índice de diâmetro foi considerado positivo em 0,7% dos casos, sem diferença entre os sexos. A dilatação da VGE foi mais prevalente entre mulheres, tanto na sua porção proximal quanto média (p<0,01). Quando avaliada a amostra por por grupo de critérios (três ou quatro critérios positivos), não houve diferença entre os sexos, no entanto, foi observado correlação positiva entre o maior número de critérios com idade mais jovem e baixo IMC (p<0,01). As limitações do estudo incluem a ausência de população sintomática para síndrome de Nutcracker; a ausência do gradiente renocaval para melhor caracterização dos achados compressivos; a ausência de outros tipos de exames de imagem, como doppler venoso; e a ausência de dados sobre gestação prévia.

Conclusão: Os critérios tomográfi cos para fenômeno de nutcracker e síndrome de nutcracker apresentam elevada frequência em indivíduos saudáveis (doadores renais efetivos). O sexo feminino e indivíduos mais jovens mostraram maior prevalência de achados compressivos no eixo aortomesentérico.
Uma revisão dos critérios atuais para fenômeno e síndrome de nutcracker, com uma categorização distinta entre sexo, idade e IMC, é recomendada para melhor avaliação dos eventos compressivos sobre a VRE.

Comentador: Dr. José Carlos Costa Baptista-Silva

Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem