Autores: Lucas João da Mata de Macedo Rodrigues, Ivan Benaduce Casella, Nelson De Luccia, Guilherme Barbosa Lima, Pedro Puech-Leão

Instituição: Disciplina de Cirurgia Vascular e Endovascular do HCFMUSP

Introdução: O tratamento endovascular para aneurisma da aorta abdominal (AAA) é a opção terapêutica para pacientes com alto risco cirúrgico ou condições anatômicas desfavoráveis para a cirurgia aberta. A literatura demonstra que o reparo endovascular eletivo para AAA resulta em menor mortalidade no perioperatório e em longo prazo em comparação ao reparo aberto tradicional. A endoprótese AFX (endologix, USA) tem características únicas que a tornam uma escolha interessante para certos tipos de morfologia aórtica. Um aspecto peculiar de seu projeto é a desconexão parcial entre seu esqueleto metálico interno e sua malha externa, o que pode ser útil quando a técnica de chaminé é preconizada. Porém, essa mesma característica também traz dificuldades na correção de eventuais endoleaks.

Caso 1 – Paciente homem de 84 anos. Em 2015, foi submetido à correção endovascular do AAA infrarrenal (sete cm no seu diâmetro máximo) com endoprótese Endologix AFX + cuff proximal com free-fl ow. Após quatro anos de seguimento, apresentou endoleak tipo III associado à expansão do aneurisma para nove cm em seu maior diâmetro transversal. Optou-se por Re-do EVAR, utilizando endoprótese TREOVANCE (Terumo).

Caso 2 – Paciente mulher de 71 anos, portadora de AAA justarrenal de 6,6 cm de diâmetro máximo. Submetida, em 2017, à correção endovascular com endoprótese Endologix AFX 25x95mm + stent revestido (Viabahn 6x50mm) em chaminé na a. renal direita (rim único). Em julho de 2019, apresentou endoleak do tipo Ia por deslocamento da porção proximal da prótese, com extenso vazamento para o saco aneurismático e crescimento do mesmo para 7,7cm. Optamos pela cobertura de toda a endoprótese prévia com dispositivo Medtronic Endurant IIa e extensão da chaminé com stent revestido Begraft.

Houve sucesso técnico em ambos os procedimentos, sem sinais de vazamento remanescentes. Os pacientes receberam alta sem sintomas ou complicações e sem pulsatilidade detectável nos aneurismas.

Conclusão: Esta pequena experiência inicial sugere que a técnica de “redo EVAR” é uma opção aceitável para correção de endoleaks complexos.

Moderador: Dr. Jong Hun Park