Registro de dados de cateteres implantados por time de acessos vasculares em hospital geral

Autores: Fábio Rodrigues Ferreira do Espírito Santo; Grace Carvajal Mulatti; Carlos Alberto Sian de Oliveira; André Luiz Passalacqua; Aline de Paula Benabou; Simon Benabou; Tatiane Carneiro Gratão; e Harue Santiago Kumakura.

Instituição: SESV – Serviço Especializado em Soluções Vasculares, Equipe de Acessos Vasculares no Hospital São Camilo Pompeia

Objetivo: Coletar e analisar os dados relativos ao perfil epidemiológico, indicações, métodos de realização e desfecho de acessos vasculares solicitados à equipe especializada em acessos em hospital geral na zona oeste de São Paulo.

Métodos: Foram coletados prospectivamente dados demográficos de todos os acessos realizados consecutivamente entre outubro e dezembro de 2018, por equipe especializada em acessos vasculares, composta por cirurgiões vasculares. Os desfechos foram obtidos através de consulta retrospectiva de registros em prontuário médico. Todas as punções foram guiadas por ultrassom e, no caso dos cateteres de inserção periférica o posicionamento da ponta do cateter no átrio foi assegurado através de eletrocardiograma intracavitário.

Resultados: Foram 483 acessos realizados pelo time no período de três meses, sendo que os implantes de cateteres de inserção periférica (PICC) corresponderam a 86% do volume total, seguido pelo implante de cateteres de diálise (5%), cateter central de curta permanência (4%) e port-o-caths (3,3%). Dentro do subgrupo dos PICCs, 50% foram implantados em ambiente de UTI e 50% para pacientes em unidade de internação; a idade média dos pacientes foi de 66,7 anos; a média de permanência dos PICCs foi de 12 dias, com taxa global de 87% de cateteres que atingiram o fim da terapia proposta. A taxa de acerto na primeira punção foi de 97,9%, e 3,3% dos PICCs demonstraram alguma dificuldade de progressão. As obstruções de lúmen aconteceram somente em cateteres implantados do lado esquerdo. Foram identificados cinco casos de TVP associada ao PICC (1,2%), sendo 100% delas ligadas a cateteres de 5Fr ou mais. A taxa de infecção foi de 0,78 por 1000 cateter-dia e apenas quatro PICCs foram removidos devido a insucesso no posicionamento inicial.

Conclusões: Times especializados em acessos vasculares podem obter altas taxas de sucesso e baixas taxas de complicações.
A presença de cirurgiões vasculares com entendimento da fisiologia da rede vascular, bem como conhecimentos ultrassonográficos é desejada para melhores resultados.

Comentador: Dr. Sérgio Roberto Tiossi

Tratamento fármaco-mecânico de flegmasia cerúlea dolens de membro superior: relato de caso