Autores: Vinicius Bertoldi, Manoel Augusto Lobato dos Santos Filho, André Luiz Passalacqua; Nilo M. izukawa e Walter Campos Júnior

Instituição: Hospital Edmundo Vasconcelos

Introdução: A doença prostática maligna é um dos cânceres mais comuns no homem, principalmente a partir da sexta década de vida. O diagnóstico retardado é o principal fator para a fase avançada da doença e óbito. As metástases do câncer de próstata podem ser por via hematogênica e linfática. A principal disseminação linfática deste tumor se faz por meio dos linfonodos pélvicos e paraórticos-cavais, podendo em muitos casos levar a um aumento generalizado da cadeia linfonodal regional com compressão de estruturas adjacentes, principalmente a circulação venosa. Desta maneira, tanto a compressão venosa quanto da drenagem linfática levam a quadros, muitas vezes, extremos e incapacitantes de edema dos membros inferiores.

Apresentação do caso: Paciente, 66 anos, com câncer de próstata avançado- metástase, coluna e pulmonar, submetido a quimioterapia, radioterapia e ablação hormonal, sem mais indicação de novos tratamentos para o câncer. Realizou nefrostomia por hidronefrose decorrente de compressão tumoral ambas as vias excretoras.
Paciente com estado geral regular, porém sem possibilidade de deambular devido a um extenso edema dos membros inferiores que se extendia até o abdômen inferior.
Avaliado pela cirurgia vascular que requisitou uma angiornm abdômen e pelve e doppler dos membros inferiores. Angiornm – presença de linfonodos periaórticos cavais, com compressão cava infrarrenal – oclusão veia ilíaca comum direita e externa esquerda.
Devido ao prognóstico ruim, foi indicada radioterapia paliativa com intuito de redução da linfonodomegalia e compressão sobre
veia cava. Submetido a quatro sessões de radioterapia, porém sem melhora do quadro clínico. Devido ao quadro e péssima qualidade de vida restante, indicou-se angioplastia do
segmento cavo ilíaco.

A técnica: Sob anestesia geral, foi realizada cateterização de ambas veias femorais sob USG, angiografia revelando oclusão veia ilíaca externa esquerda, comum direita e cava infrarrenal. Cateterização cava pelas ilíacas bilateralmente e procedido angioplastia com balão da cava (atlas 18x40mm) ilíacas com atlas 16×40 mm e ilíaca externa esquerda com atlas 14x40mm. Após a pré-dilatação, foi realizada angioplastia com stent sioxx 22x70mm, mais um kissing stent para ilíacas com stent venovo 14×120 à direita e dois stent venovo à esquerda 14x120mm + 14x140mm. Pós-dilatação seguida de IVUS e angiografi a de controles, revelando perviedade do segmento iliocaval.
Paciente foi encaminhado à UTI, onde permaneceu por 24 horas, recebendo alta no quarto pós-operatório com redução importante do edema dos membros inferiores.
Segmento ambulatorial de dois meses, paciente com redução completa do edema de membros e deambulando. Doppler controle com stents pérvios.

Discussão: O câncer de próstata avançado com metástases linfonodais, pode criar um quadro de compressão de estruturas retroperitoneais, como vasos e ureteres.
A compressão venosa, aliada ao comprometimento linfático pélvico, leva a quadros extremos de edema dos mebros inferiores. A radioterapia paliativa, com intuito de diminuição da massa linfonodal, muitas vezes, leva a uma melhora na compressão e consequente na drenagem venosa e linfática. A falha desta terapia, associada a um mal prognóstico da doença, limita as ações terapêuticas invasivas, tendo o paciente que conviver com um curto período de vida sem qualidade. A terapia endovascular, nestas situações, torna-se um meio alternativo para descomprimir a drenagem venosa, levando a uma melhoria no edema e qualidade de vida desses pacientes.
Vimos neste caso que o paciente recuperou parte de sua qualidade de vida, permitindo viver seus últimos meses com um maior conforto e independência.

Comentador: Dr. Fábio Henrique Rossi

Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem