Autores: João Pedro Mendes de Carvalho, Grace Carvajal Mulatti, Guilherme Baumgardt Barbosa Lima, Pedro Puech-Leão, Nelson De Luccia

Instituição: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Objetivos: Relatar a experiência de tratamento cirúrgico de uma série de casos com necessidade de revascularização da artéria renal em situações onde houve falha do tratamento endovascular ou este não era possível. Avaliar complicações pós-operatórias, técnicas empregadas, perviedade e óbito. Pacientes e

Métodos: De fevereiro de 2008 a agosto de 2019, foram avaliados retrospectivamente todos os casos de revascularização de artéria renal tratados por via convencional, atendidos no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Todos os casos envolviam doenças onde o tratamento endovascular primário não era possível ou apresentou falha. Os desfechos analisados foram complicações em 30 dias, perviedade em longo prazo e óbito.

Resultados: Foram tratados consecutivamente 12 pacientes. O tempo de seguimento médio foi de 9,5 meses. As doenças tratadas foram: 10 estenoses de artéria renal, dois aneurismas e uma fístula arteriovenosa. Metade dos pacientes tinha menos de 20 anos no momento da intervenção, e em dois casos foi realizada revascularização bilateral. As técnicas empregadas variaram de acordo com o tipo de doença tratada, a idade e a disponibilidade do substituto arterial. Foi realizado um autotransplante, dois enxertos espleno-renais, três enxertos provenientes da artéria mesentérica superior e uma arterioplastia. No caso de utilização de substituto, utilizou-se uma veia safena magna, quatro artérias hipogástricas e uma artéria ilíaca externa. Nenhum paciente evoluiu a óbito no período de estudo e três enxertos ocluíram. Não houve complicações operatórias no período de 30 dias, dois pacientes que faziam hemodiálise previamente deixaram de dialisar após a revascularização.

Conclusão: Na era onde a larga maioria das revascularizações de artéria renal é realizada via endovascular, observamos que a revascularização convencional ainda desempenha importante papel para casos que não podem ser tratados de forma endovascular, ou em que houve falha deste tratamento. Principalmente na faixa etária menor de 20 anos, observou-se um emprego primário das técnicas de revascularização abertas com intuito de aumentar a perviedade. Apesar de apresentarem grande variabilidade de substitutos e técnicas possíveis, elas se demonstram factíveis, com baixa taxa de complicações e alta perviedade no seguimento apresentado e, por isso, seu emprego e seu ensino nos hospitais-escola devem ser estimulados e continuados.

Moderador: Dr. José Carlos Costa Baptista-Silva

Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem