Autores: Nelson Wolosker, Marcelo Fiorelli Alexandrino da Silva, Dafne Braga Diamante Leiderman, Nickolas Stabellini, Wellington Araujo Nogueira, Claudia Szlejf, Edson Amaro Junior e Marcelo Passos Teivelis.

Instituição: Hospital Albert Einstein

Introdução: A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é caracterizada como uma doença vascular crônica que produz déficits na circulação arterial dos membros. No mundo, a DAOP é uma doença de alta morbidade, afetando mais de 200 milhões de pessoas. Nosso objetivo foi descrever a epidemiologia, no SUS, dos tratamentos operatórios de revascularização da DAOP nos últimos 11 anos, com base em dados publicamente disponíveis do Sistema Único de Saúde da cidade de São Paulo.

Métodos: Os dados públicos (sistema de saúde do governo) dos procedimentos realizados em São Paulo, entre 2008 e 2018, foram extraídos na web. Avaliou-se sexo, idade, município de residência, técnica operatória, número de cirurgias (total e por hospital), mortalidade durante a internação, tempo de permanência no estabelecimento (dias), tempo médio de permanência na unidade de terapia intensiva e valores pagos pelo sistema governamental.

Resultados: Foram analisados 10.951 procedimentos; 55,4% dos pacientes eram do sexo masculino e 50,60% dos pacientes tinham 65 anos ou mais. Aproximadamente, 66,0% dos indivíduos possuíam endereço residencial cadastrado no município. Houve 363 óbitos hospitalares (mortalidade de 3,31%). A mortalidade durante a internação por cirurgia endovascular foi menor que a cirurgia aberta (p = 0,019). O hospital com maior número de cirurgias (n = 2.777) apresentou menor mortalidade intra-hospitalar (1,51%). Um total de US$ 20.655.272,70 foi pago; uma média de US$ 1.860,94 foi paga para cirurgia aberta e US$ 1.896,49 para cirurgia endovascular.

Conclusão: A revascularização para tratamento com DAOP exigiu mais de US$ 20 milhões em 11 anos do sistema governamental. As cirurgias endovasculares foram realizadas com mais frequência do que as cirurgias abertas e resultaram em menor tempo de internação e menores taxas de ortalidade perioperatória.

Comentador: Dr. Pedro Puech-Leão