Autor Principal: João Pedro Lins Mendes de Carvalho – Residente de Cirurgia Vascular (R4 CV).

Co-Autores: Prof. Dr. Pedro Puech Leão – Professor Titular de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo;  Prof. Dr. Nelson De Luccia – Professor Titular de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Dr. Erasmo Simão da Silva – médico assistente de Cirurgia Vascular e Endovascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Guilherme Baumgardt Barbosa Lima – Médico Preceptor de Cirurgia Vascular do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Instituição: Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Introdução: O uso da associação entre AAS e Clopidogrel em pacientes pós-ataque isquêmico transitório (AIT) ou acidente vascular cerebral (AVC) se mostrou superior quando comparado à monoterapia anti-agregante plaquetária na redução de novos eventos. O uso de um único antiagregante plaquetário (clopidogrel ou AAS) nos pacientes sintomáticos submetidos à endarterectomia já é conduta segura e recomendada nos mais recentes guidelines. No entanto, para os pacientes sintomáticos e com indicação cirúrgica para endarterectomia carotídea, a manutenção perioperatória da dupla antiagregação (AAS e do Clopidogrel) ainda não tem evidências suficientes de eficácia e segurança para adotar o seu uso de rotina. Estudos recentes sugerem uma redução na incidência de novos eventos neurológicos, porém têm resultados divergentes com relação à segurança e risco de sangramento.

Objetivo: O objetivo do estudo foi comparar o uso de AAS e Clopidogrel versus apenas AAS em pacientes submetidos à endarterectomia carotídea.

Metodologia: Estudo observacional analítico retrospectivo (caso-controle) realizado por meio de uma análise de banco de dados coletado prospectivamente, entre janeiro de 2015 e setembro de 2019, em hospital-escola terciário de São Paulo. Foram analisados pacientes sintomáticos (sintomas há menos de seis meses, associados à estenose carotídea > 50%) submetidos à endarterectomia carotídea no período.
Os pacientes foram divididos em dois grupos:
Grupo 1 – com 26 pacientes em uso de AAS e Clopidogrel, e Grupo 2 – com 62 pacientes com monoterapia apenas com AAS.
Os desfechos analisados foram sangramentos, reoperações por sangramento e novos eventos neurológicos no perioperatório (novo AIT ou AVC). Para análise estatística, foi usado o Teste exato de Fisher.

Resultados: Foram analisados 88 pacientes com estenose carotídea maior que 50% e presença de sintomas neurológicos há menos de seis meses do procedimento cirúrgico. Os dois grupos tiveram perfil semelhante, sem diferenças entre sexo, idade ou comorbidades. A taxa de sangramento foi de 7,7% (n=2) no grupo 1 versus 4,8% (n=3) no grupo 2. No entanto, a taxa de reoperação por sangramentos foi de 3,8% (n=1) no grupo 1 versus 4,8% no grupo 2 (n=3). Um novo evento neurológico só ocorreu em um paciente do grupo 1 (3,8%) enquanto no grupo 2 ocorreu em três pacientes (4,8%). Após análise estatística, nenhum dos desfechos apresentou diferença significativa. Entretanto, a gravidade dos eventos diferiu nos dois grupos: os eventos no grupo controle foram todos AVC, enquanto no grupo AAS + Clopidogrel foi apenas um AIT. Não houve diferença de outras complicações cirúrgicas também analisadas (lesão de nervos periféricos no intraoperatório e complicações da internação como infarto do miocárdio, progressão da doença renal para hemodiálise).

Conclusão: Pelo desenho do estudo, apenas podemos gerar uma possível hipótese de associação entre exposição e desfechos. Portanto, o uso da dupla antiagregação plaquetária no perioperatório de endarterectomia carotídea em pacientes com estenose sintomática da carótida demonstrou ser factível, com baixo índice de complicações hemorrágicas nos casos analisados. Ademais, o uso de AAS + Clopidogrel parece não ter associação com sangramentos clinicamente importantes que necessitam de re-intervenções cirúrgicas, e parece reduzir eventos neurológicos graves e mortalidade.

Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem