Autora-apresentadora: Brena Costa dos Santos – Médica residente do serviço de cirurgia vascular e endovascular da Unifesp – Escola Paulista de Medicina

Autores: Brena Costa dos Santos, Rebeca Mangabeira Correia, Jorge Eduardo de Amorim, Vladimir Tonello de Vasconcellos, Ronald Luiz Gomes Flumignan, Henrique Jorge Guedes Neto, Ana Alyra Carvalho, Carolina Martines Estrutti, Marcello Erich Reicher, Beatriz Urbani Pessutti, Gabriela Araujo Attie, Luiz Henrique Dias Gonçalves De Sousa, Luis Carlos Uta Nakano.

Instituição: UNIFESP – Escola Paulista de Medicina

Introdução: As varizes dos membros inferiores apresentam alta prevalência na população, variando de 15 a 30%, dependendo da população estudada. Existem muitos tratamentos de acordo com a localização e o calibre das veias. Uma das técnicas é a flebectomia, extração cirúrgica de varizes com ou sem o auxílio de ganchos (agulha de crochê), através de pequenas incisões. O uso de simuladores realistas para treinamento em saúde vem crescendo nos últimos anos. Apesar do desenvolvimento de outras técnicas de tratamento das varizes, a flebectomia ainda encontra espaço no arsenal terapêutico do cirurgião vascular, principalmente no tratamento de tributárias insuficientes, onde não é possível o tratamento com outras técnicas. Apesar de simples, a técnica exige treinamento e atenção do profissional, pois não é isenta de riscos. As principais complicações advindas da flebectomia descritas na literatura são desde cicatrizes, manchas e até mesmo as lesões de nervos periféricos superficiais, que podem ter repercussões extremamente graves para o cirurgião. Na literatura não encontramos nenhum modelo ou simulador para treinamento de flebectomia com preservação do nervo, o que motivou a realização deste trabalho.

Objetivos: O objetivo deste trabalho foi o desenvolvimento de um simulador para o treinamento de flebectomia. As premissas seguidas pelo projeto foram criar um simulador de baixo custo, fácil de reproduzir e manusear.

Material e método: Para o desenvolvimento do modelo foi utilizado material plástico flexível e fácil de ser moldado. O material utilizado foi o Plastisol® 5020, muito utilizado na fabricação de iscas para pesca. O material simula a consistência da pele humana e incisões podem ser feitas repetidamente em sua superfície. Com o mesmo material, criamos segmentos cilíndricos que simulam as veias de diferentes calibres que foram colocados entre duas superfícies do Plastisol®. Para simulação de nervos periféricos foi utilizado fio de cobre desencapado que ao toque do gancho de extração acendia luz de advertência por se tratar de estrutura errada não devendo ser extraída. Quando o gancho encosta na estrutura que simula o nervo, um sinal luminoso de alerta acende e o profissional imediatamente interrompe a extração. O custo por modelo foi de R$ 150,00. O simulador foi testado por quatro cirurgiões vasculares experientes que verificaram que o modelo criado simula flebectomia em pacientes reais, além de alertar para estrutura tipo nervo periférico.

Resultados: O modelo foi utilizado na formação de médicos. Dez residentes foram treinados onde se realizou desde a marcação das varizes a serem removidas até a incisão da pele do simulador com o uso de lâmina de bisturi número 11, flebectomia com e sem o uso de ganchos especiais de acordo com o calibre da veia a ser retirada. Nas veias de maior diâmetro, foi indicada flebectomia direta com incisão na veia e ressecção com extração com pinça “mosquito”. Nas veias de menor diâmetro, o residente utilizou a técnica de incisão pontual ao lado da veia e a flebectomia. Na região da cabeça da fíbula existia, além da veia varicosa, a estrutura que simulava o nervo fibular comum, desse modo, quando da extração dessa veia com gancho, ao tocar na estrutura que simulava o nervo, a luz de alerta indicava tratar-se de nervo e não de vaso a ser extraído. O residente foi alertado de que nessa região a escolha de gancho para extração não é indicada e sim extração por visão direta, uma vez que o risco de lesão do nervo é muito alto. Após a exposição da veia, a extração foi realizada com a ajuda de pinça mosquito. Todos os residentes foram capazes de executar os procedimentos. Após esse treinamento, os residentes foram liberados para realizar o procedimento em pacientes num mutirão de varizes realizado no Serviço. O relato dos residentes treinados é que o simulador ajudou no aprendizado da técnica e no desenvolvimento individual de habilidades.

Conclusão: O simulador de flebectomia foi eficaz no treinamento das habilidades dos residentes, sendo de baixo custo e de fácil manuseio.

Avaliação epidemiológica de aorta torácica através de tomografia computadorizada de baixa dosagem