Autores: Giulianna Barreira Marcondes, Henrique Jorge Guedes Neto, Luis Carlos Uta Nakano, Ronald Flumignan, Jorge Eduardo Amorim

Instituição: EPM – Unifesp

Introdução: As anomalias vasculares são divididas em tumores e malformações vasculares e a diferenciação clínica entre os grupos é muitas vezes difícil. Nas últimas décadas, os estudos sobre o comportamento biológico destas afecções proporcionaram um melhor entendimento e um tratamento mais adequado e menos agressivo para estes pacientes. Atualmente, a International Society for the Study of Vascular Anomalies (ISSVA) orienta a classifi cação e regra o tratamento desse grupo de doenças.

Relato de Caso: Paciente do sexo masculino com um mês de idade.
Ao nascimento apresentava duas manchas vermelhas, uma em pálpebra superior direita e outra em lábio superior. As lesões aumentaram rapidamente de tamanho, evoluindo com ulceração da lesão em lábio com limitação ao aleitamento e com restrição à abertura ocular.
Foi encaminhada ao Serviço após realizar US Doppler de face com hipótese diagnóstica de malformação arteriovenosa. Iniciado tratamento clínico com propranolol na dose de 0,5mg/kg/dia por 7 dias,
seguido de aumento de dose para 1 mg/kg/dia.
O seguimento foi feito quinzenalmente por três meses com exame físico e documentação fotográfica. A dose de propranolol foi corrigida de acordo com o peso do paciente ao longo do seguimento.
Após 10 dias de tratamento houve cicatrização da lesão labial e melhora na abertura ocular.
Após três meses a lesão labial praticamente desapareceu e a palpebral teve uma grande diminuição do seu tamanho. Mantido tratamento com propranolol e seguimento periódico em consultas.

Discussão: O diagnóstico diferencial entre hemangioma e malformação arteriovenosa não é fácil nas fases iniciais do desenvolvimento da lesão vascular. O teste terapêutico com propranolol pode ser feito como medida inicial se não houver contraindicação ao seu uso. Neste caso de hemangioma de face, o resultado mostrou-se muito satisfatório com regressão significativa das lesões e melhora na qualidade de vida do paciente.

Comentador: Dr. José Luiz Orlando