Autor: Guilherme Yazbek

Coautores: Kenji Nishinari, Mariana Krutman, Nelson Wolosker, Guilherme Bomfim, Bruno Soriano, Igor Fonseca, Rafael Cavalcante e Marcelo Teivelis.

Instituição: Hospital A. C. Camargo

A coexistência de ambas as doenças apresenta-se como um desafio para as equipes médicas na medida em que é necessário estabelecer prioridades terapêuticas a fim de se obter um tratamento ideal. 

O objetivo deste estudo foi analisar os resultados do tratamento de pacientes que apresentavam CA associado a AAA realizados num hospital especializado no tratamento do CA num período de 10 anos.

Material e Métodos

Este foi um trabalho retrospectivo onde os dados foram obtidos a partir de nosso banco de dados institucional e prospectivo. De setembro de 2003 a setembro de 2013, um total de 36 pacientes consecutivos portadores de AAA associado ao câncer foram submetidos a correção cirúrgica. Destes, foram excluídos 9 pelo tratamento da neoplasia ter sido realizada em outro serviço. A maioria dos pacientes era do sexo masculino (22) e a neoplasia mais freqüente foi a de próstata. O tratamento do AAA foi realizado após o tratamento do CA em 19 pacientes, antes do CA em 7 pacientes e concomitantemente em 1 caso. Foram analisados os  aspectos intra-operatórios, a técnica de tratamento empregada, a presença de complicações, a evolução clínica dos pacientes e a sua sobrevida. 

RESULTADOS

A correção endovascular foi empregada em 19 (70.4%) casos e a aberta em 8 (29.6%). O pós-operatório ocorreu sem qualquer complicação em 19 casos, mas as complicações foram mais frequentes no tratamento endovascular (36,84% versus 12,5%). Não houve nenhum caso de óbito no pós-operatório relacionado à cirurgia do aneurisma. A maioria dos pacientes de ambos os grupos estavam vivos ao final do estudo. A probabilidade de sobrevida foi de 65,8% após 3 anos e 53% após 5 anos de seguimento, sem diferença estatística entre os grupos endovascular e convencional. A maior causa de morte foi a evolução da doença neoplásica. 

Conclusão: 

 Pacientes que apresentavam a concomitância do câncer e do aneurisma de Aorta foram beneficiados pelos tratamentos cirúrgicos realizados simultaneamente ou não. O tratamento deve ser individualizado, sendo a doença de maior gravidade tratada primeiro. Ambas as técnicas para a correção do aneurisma mostraram-se equivalentes.

Comentador: Dr. Guilherme Vieira Meirelles