AUTOTRANSPLANTE RENAL COM CORREÇÃO EX VIVO NA TERAPÊUTICA DE ANEURISMA RENAL SEGMENTAR RELATO DE CASO

Autores: Rafael Ávila, Marcelo Moraes, Daniel Cacione, Samuel Tomaz, Aska Moriyama, Jorge Amorim, Luís Carlos Nakano, Henrique Guedes, Ronald Flumignan, José Carlos Costa Baptista-Silva

Instituição: UNIFESP

Introdução: Aneurismas viscerais são consideradas entidades relativamente raras na Cirurgia Vascular, porém com alto potencial de rotura, podendo levar ao óbito rapidamente. Para lesões complexas, como aneurismas segmentares de artéria renal, uma opção terapêutica atual, com alta taxa de sucesso, conforme literatura, é o autotransplante renal, com correção ex vivo, conforme relatado neste caso.

Relato de Caso: Paciente de 37 anos de idade, feminino, acompanhada pela Cardiologia, sendo avaliada quanto a hipertensão arterial de difícil controle, associada a miocardiopatia hipertensiva, após gestação, sem outras queixas associadas. Ao exame físico, apresentava somente sopro abdominal importante. Ao US Doppler de aorta, identificada fístula arteriovenosa (FAV) em seio renal direito, medindo 6,0 x 4,1 cm, tendo a artéria renal direita como vaso nutridor e a veia renal esquerda como vaso de drenagem, com rim direito excluso, e na angiotomografia (AngioTC), também visibilizada a presença de múltiplas dilatações aneurismáticas em artéria e veia renal direita, com aneurisma sacular medindo 1,3×0,9 cm em artéria renal segmentar superior esquerda e outro medindo 1,4×1,3 cm em terço médio de artéria esplênica.
Realizada tentativa de embolização de aneurismas por via endovascular, sem sucesso, por impossibilidade de cateterização seletiva de a. esplênica pela tortuosidade, e de aneurisma de artéria renal segmentar superior esquerda devido a colo largo.
Optado por correção aberta com incisão mediana xifopúbica, com exposição de aorta e aa. renais, identificada FAV, com intenso frêmito local e veia cava inferior ectasiada. Procedeu-se a nefrectomia direita, com fechamento da FAV. Em seguida, identificado aneurisma sacular de a. esplênica com ligaduras proximal e distal do mesmo, e feita esplenectomia. Posteriormente, realizada nefrectomia esquerda, com identificação e correção de aneurisma de artéria renal segmentar superior esquerda em bancada, através da exérese de saco aneurismático e fechamento primário do vaso, e reimplante de rim em região pélvica e reimplante ureteral extravesical pela técnica de Lich-Gregoir. Recebeu alta hospitalar no 12o pós-operatório, com boa evolução clínica, atualmente em seguimento ambulatorial.

Discussão: Neste caso foi possível observar o uso da técnica de correção aberta, tanto do aneurisma de artéria esplênica, com esplenectomia e isolamento do aneurisma, como o da artéria renal segmentar, com autotransplante renal com correção em bancada, com sucesso – após tentativa de correção endovascular sem sucesso. Assim, tal técnica também deve ser considerada como opção terapêutica importante para correção de aneurismas, considerando alta taxa de sucesso descrita na literatura, para lesões de maior complexidade anatômica.

Comentador: Dr. Nelson De Luccia