ANÁLISE DESCRITIVA DOS ACHADOS CLÍNICOS DE PACIENTES PORTADORES DE LINFEDEMA ATENDIDOS NO AMBULATÓRIO DE CIRURGIA VASCULAR DO HOSPITAL SANTA MARCELINA SÃO PAULO

Autores: Gustavo Cunha Miranda1, Luisa Ciucci Biagioni, Rodrigo Bruno Biagioni, Jose Carlos Ingrund1, Marcelo Calil Burihan1, Felipe Nasser1, Orlando da Costa Barros1, Rhumi Inoguti1

Instituição: Hospital Santa Marcelina Itaquera São Paulo1

Introdução: O Linfedema é uma doença crônica, caracterizada pela deficiência ou ausência de drenagem linfática, que cursa com acúmulo de líquido no interstício, fibrose e aumento de tecido adiposo na região afetada. Afeta milhões de pessoas no mundo todo, secundária à infecções de pele, filariose e câncer. Pode também ser primário, afetando um em cada 6000 nascidos vivos. É uma doença estigmatizante e muitas vezes os pacientes não encontram o diagnóstico e o tratamento adequado.

Materiais e Métodos: Estudo retrospectivo descritivo, realizado por meio de análise dos prontuários eletrônicos do Sistema MV de 106 pacientes portadores de Linfedema, atendidos no ambulatório de cirurgia vascular do Hospital Santa Marcelina Itaquera São Paulo, pelo Sistema Único de Saúde, no período de janeiro de 2014 a junho de 2017.

Resultados: Foram avaliados dados de 106 pacientes com diagnóstico clínico de Linfedema, 76,4% eram do sexo feminino, idade média de 58 anos, idade média do início do edema 28 anos (Linfedema primário) e 42 anos (Linfedema secundário). Em relação à etiologia, 52,8% Linfedema secundário à erisipela, 20% Linfedema primário, 13% Linfedema associado ao lipedema, 4% secundário à neoplasia e cerca de 10% associado a outras causas. Não houve nenhum caso de Linfedema secundário à filariose.
Dentre as comorbidades associadas, as mais prevalentes foram a hipertensão arterial sistêmica (73 %), obesidade (44,74 %), diabetes (32,2 %), lipedema (19%); a maior parte dos pacientes apresentou estádio clínico II (ISL) (94,2%) e 14,5% apresentavam úlceras em atividade. 22 pacientes foram submetidos à linfocintilografia, evidenciando alterações compatíveis com Linfedema. O tratamento recomendado foi a terapia física complexa (85%), meia elástica de alta compressão (15%) e em dois pacientes, cirurgia plástica para correção de lipodistrofias.

Conclusão: O Linfedema foi mais prevalente no sexo feminino, de etiologia secundária pós-infecciosa, associado à hipertensão arterial sistêmica e obesidade. Quanto à forma clínica, a classificação mais encontrada foi o grau II (ISL). A maior parte dos pacientes foi tratada com terapia física complexa.
Comentador: Dr. Henrique Jorge Guedes Neto