Autores: Mariana Krutman, Kenji Nishinari, Bruno Soriano Pignataro, Guilherme Yazbek, Guilherme Andre Zottele Bomfi m, Rafael Noronha Cavalcante, MD, Guilherme Centofanti, Igor Yoshio Imagawa Fonseca, Marcelo Passos Teivelis

Instituição: AC Camargo Câncer Center, São Paulo, Brasil

Objetivos: A invasão vascular não é mais considerada uma contraindicação absoluta para a remoção de tumores e as reconstruções complexas fazem parte da atividade diária dos cirurgiões vasculares em centros oncológicos especializados. Nosso objetivo é relatar a experiência de reconstruções vasculares complexas em um único centro oncológico e avaliar seus resultados de sobrevida e patência a longo prazo.
Até onde sabemos, este é o maior relato de reconstruções vasculares, publicado até a presente data, com o maior tempo de seguimento.
Materiais e métodos: Neste estudo de coorte retrospectivo, avaliamos, entre setembro de 1997 a janeiro de 2016, 91 pacientes que
foram submetidos a 92 procedimentos de reconstrução arterial e 47 de reconstrução venosa. Os desfechos de sobrevida e perviedade tardia
gerais foram analisados para todos os pacientes do estudo e estratificados de acordo com os diferentes segmentos corporais (cervical, tórax, membros superiores, abdome e membros inferiores).

Resultados: O tempo estimado de seguimento médio e mediano foi 112,66 e 100 meses, respectivamente. A estimativa de sobrevida geral, em 24 e 60 meses, foi de 55,3% e 31,1%, respectivamente. As estimativas de sobrevida foram signifi cativamente menores nos casos cervicais quando comparados aos demais segmentos corporais. As taxas de patência arterial primária, em 24 e 60 meses, foram de 96,7% e 84,9%, respectivamente e apresentaram semelhantes em todos os segmentos corporais. As taxas de perviedade venosa foram de 71,4% e 64,2% em 24 e 60 meses, respectivamente. Sete casos (7,6%) de complicações vasculares arteriais foram observados.

Conclusões: A reconstrução vascular, realizada em conjunto com a ressecção oncológica, é uma opção de tratamento viável para tumores com envolvimento vascular. Quando a cirurgia é realizada em centros especializados, baixa morbidade perioperatória e perviedade prolongada são esperadas, independentemente do território vascular submetido à intervenção.

Comentador: Dr. Antonio Eduardo Zerati