Cálculo é essencial para a validade dos resultados

*Winston B. Yoshida

Uma das carências mais presentes que encontramos nas submissões ao JVB é a falta de cálculo do tamanho amostral ideal do estudo apresentado. Ao utilizar uma amostra representativa para se fazer inferências da população, o dimensionamento numérico e também a técnica de amostragem (coleta/seleção) dos elementos de um estudo fazem parte do planejamento da pesquisa (J. Vasc. Bras. 2011;10(4):275-278).

Quando esse cálculo não é feito, os resultados, especialmente sem diferença estatística, são frutos do acaso ou tamanho amostral insuficiente? Mesmo que nitidamente insuficiente, os autores costumam justificar que suas amostras foram de conveniência, o que não permite extrair conclusões. Essas costumam ir na direção de necessidade de “mais estudos para se obter conclusões apropriadas”. Diante de tal conclusão, deve-se perguntar: qual a evidência científica do estudo apresentado? 

Casuísticas reduzidas impedem conclusões assertivas. A forma de contornar esse problema é, em primeiro lugar, calcular o tamanho ideal da amostra e, se esta está aquém do calculado, deve-se esperar até que se obtenha um número apropriado de sujeitos da pesquisa. Pode-se também, alternativamente, fazer um estudo multicêntrico, envolvendo vários hospitais ou instituições, atingindo dessa forma uma amostra que possa ser estatística e corretamente avaliada.  

O JVB já publicou como calcular a amostra   (https://doi.org/10.1590/S1677-54492011000400001). As diretrizes de publicação do EQUATOR   (http://www.jvb.periodikos.com.br/page/report-guidelines), em geral, apontam a necessidade deste cálculo nos vários tipos de estudo. 

Conclamo os autores a se atentarem para este importante detalhe em suas submissões, de modo a termos estudos com melhores níveis de  evidência.

Dr. Winston B. Yoshida

Editor-chefe do JVB