Exemplo e conduta dos educadores são pilares da formação ética e humana dos futuros médicos em um cenário de expansão e desafios no ensino da medicina
O papel do professor de medicina e do preceptor de residência médica vai muito além da transmissão de conhecimento técnico-científico. Esses profissionais exercem profunda influência sobre a formação ética e humana dos futuros médicos, sendo referências diretas no processo de construção de valores e atitudes profissionais. Em um contexto em que o ensino médico é cada vez mais pressionado pela expansão do número de cursos e de formandos, o exemplo pessoal do educador torna-se um instrumento pedagógico fundamental, capaz de inspirar comportamentos éticos, empáticos e responsáveis.
A formação médica, por sua natureza, envolve contato direto com situações de vulnerabilidade humana, exigindo do profissional sensibilidade, respeito e compromisso moral. Nesse sentido, o professor e o preceptor são os primeiros espelhos em que o estudante e o residente se veem refletidos, observando não apenas o que ensinam, mas como agem diante dos pacientes e colegas. A coerência entre discurso e prática é o que confere autenticidade ao ensino ético, transformando o cotidiano assistencial em uma verdadeira sala de aula de valores. Assim, atitudes simples — como o respeito ao paciente, a honestidade científica e o zelo pelo bem-estar coletivo — possuem um impacto formador mais duradouro do que qualquer aula teórica.
Contudo, o aumento exponencial de escolas médicas e o consequente volume de formandos e residentes impõem desafios à manutenção dessa formação ética de qualidade. A relação próxima e individualizada entre mestre e aprendiz, tão tradicional na medicina, tende a se diluir em ambientes de ensino massificados. Nesse cenário, o risco é que o aprendizado ético se fragilize, sendo substituído por uma formação predominantemente técnica. Por isso, é essencial que as instituições de ensino médico reforcem a valorização do papel do professor e do preceptor como modelos de conduta, reconhecendo sua importância não apenas no ensino clínico, mas também na formação moral do futuro médico.
Dessa forma, o exemplo positivo do professor e do preceptor permanece como a ferramenta mais poderosa de transformação das novas gerações médicas. Mesmo diante da multiplicação de cursos e residências, a ética se perpetua quando é vivida no cotidiano da prática e transmitida pelo testemunho silencioso de quem ensina com integridade. O educador que age com empatia, humildade e compromisso social contribui para formar não apenas profissionais competentes, mas médicos verdadeiramente humanos — capazes de manter viva a essência ética da medicina, independentemente das pressões e mudanças do cenário contemporâneo.

Dr. Fábio J. Bonafé Sotelo
Diretor de Defesa Profissional da SBACV-SP




