Preços de órteses, próteses e materiais especiais têm maior alta mensal desde 2021, apontam Fipe e Bionexo
Uma alta atípica nos preços de materiais cirúrgicos no fim de 2025 ajudou a expor um dos custos menos visíveis — e mais sensíveis — da gestão hospitalar. Em dezembro, os preços de órteses, próteses e materiais especiais (OPME) subiram 1,25%, registrando a maior variação mensal desde 2021, segundo o Índice OPME, calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) com base em dados transacionais da plataforma da Bionexo.
Apesar de pouco conhecidas pelo público, as OPME estão entre os itens mais relevantes da estrutura de custos hospitalares. O termo reúne materiais de alto valor unitário utilizados em cirurgias e procedimentos de média e alta complexidade — como stents, próteses ortopédicas, válvulas, cateteres e outros dispositivos implantáveis ou descartáveis — cujo consumo varia conforme o perfil e a complexidade das cirurgias realizadas.
O salto registrado em dezembro chama a atenção não apenas pela intensidade, mas também por seu caráter atípico. Historicamente, o último mês do ano apresentou oscilações limitadas nos preços de OPME. Em 2025, porém, o movimento foi suficiente para alterar a trajetória do índice ao longo do ano, que encerrou o período com alta acumulada de 0,73%, após meses de variações negativas.
Esse comportamento não acompanhou outros indicadores relevantes da saúde e da economia. No mesmo período, os preços de medicamentos adquiridos por hospitais permaneceram praticamente estáveis, enquanto a inflação oficial e a taxa de câmbio apresentaram variações mais moderadas. Ao longo de 2025, os preços desses materiais também não se moveram de forma uniforme entre os diferentes grupos acompanhados.
Enquanto alguns registraram aumentos, outros apresentaram queda no acumulado do ano. Os materiais ligados ao sistema digestivo e anexos, por exemplo, encerraram 2025 com a maior retração entre as especialidades analisadas. Esse contraste reforça que o índice não reflete um movimento equilibrado de preços, mas varia conforme a especialidade de cada segmento.

ELABORAÇÃO: FIPE, COM BASE EM DADOS DE TRANSAÇÕES DA PLATAFORMA OPMENEXO. NOTA: (*) AGREGA AS SEGUINTES ESPECIALIDADES: CABEÇA E PESCOÇO; OLHOS; ORELHAS; NARIZ E SEIOS PARANASAIS; PAREDE TORÁCICA; SISTEMA RESPIRATÓRIO E MEDIASTINO; PELE E TECIDO CELULAR SUBCUTÂNEO/ANEXOS; TRANSPLANTES DE ÓRGÃOS E OUTROS (NÃO LISTADOS).
Por sua natureza técnica e pelo fato de não aparecerem de forma explícita para o paciente, as OPME costumam ser tratadas como um custo invisível da saúde. Ainda assim, pequenas variações de preço nesses materiais podem gerar efeitos significativos sobre o caixa dos hospitais, especialmente em um cenário de margens pressionadas e alta demanda assistencial.
Segundo o vice-presidente de Crescimento da Bionexo, Rodrigo Romero, a leitura mais segura para o resultado de dezembro está relacionada à composição do atendimento hospitalar no período. “Os dados consolidados do Índice OPME mostram maior peso de especialidades ligadas a procedimentos mais complexos, especialmente os relacionados a ossos e articulações, que utilizam materiais de maior valor médio. Dezembro também costuma concentrar cirurgias represadas ao longo do ano, o que reduz a diluição por procedimentos de menor complexidade”, explica.
Romero pondera que o movimento deve ser analisado com cautela e não indica, por si só, uma mudança estrutural. O índice, afirma, reflete a combinação de diferentes fatores — como o perfil dos procedimentos realizados, as características das instituições e dinâmicas específicas de negociação — que podem variar de um período para outro.
Para o especialista comercial de produtos da Bionexo, Alexandre Almeida, é justamente essa sensibilidade que torna o acompanhamento das OPME estratégico para a gestão hospitalar. “As OPME representam uma parcela relevante do custo assistencial e concentram variações que nem sempre aparecem em indicadores mais conhecidos. Tornar esses movimentos visíveis é fundamental para apoiar decisões de gestão, planejamento e negociação, promovendo maior previsibilidade e equilíbrio no setor”, afirma.
O resultado reforça o papel do Índice OPME como um indicador-chave para compreender a dinâmica dos custos hospitalares e os desafios de sustentabilidade do sistema de saúde.




